INTIMIDAÇÃO E RACISMO

Brasileira na Argentina relata medo de sair após onda de ameaças

Brasileiros na Argentina relatam medo após ameaças.
Brasileiros relatam receio após episódios de hostilidade em Buenos Aires.

Estudantes enfrentam perseguição e ameaças de morte após programa de TV expor torcedores brasileiros que celebraram a derrota da Argentina na Copa do Mundo.

Estudantes brasileiros residentes na Argentina passaram a adotar medidas drásticas de proteção, como evitar locais públicos e desativar redes sociais, diante de uma onda de hostilidade que cresceu após a final da Copa do Mundo de 2026. A situação se agravou nesta semana, quando uma série de ameaças coordenadas começou a afetar a segurança física e a integridade acadêmica desses jovens.

Conforme noticiado na terça-feira (21), uma estudante brasileira relatou ter sido alvo de ameaças de morte e perseguição virtual após a Crónica TV exibir imagens de compatriotas celebrando o resultado do jogo. Mesmo sem ter feito publicações sobre a partida, a jovem relata um ambiente de medo generalizado entre a comunidade de estudantes no país.

"Os estudantes estão recebendo ameaça de morte. Fizeram uma planilha com o nome completo e faculdade de cada um e estão enviando emails às faculdades de medicina pedindo punições. Também estão tentando pressionar um hospital para excluir uma brasileira da residência por ela ter torcido para a Espanha", relatou a universitária, que reside em Buenos Aires há seis anos.

A intimidação inclui desde ofensas racistas em redes sociais até o compartilhamento de dados sensíveis para pressionar instituições de ensino e saúde. Diante do cenário, encontros da comunidade foram cancelados por questões de segurança e muitos estudantes alteraram rotinas básicas para evitar confrontos.

Apesar da gravidade, a estudante enfatiza que a perseguição parte de um grupo minoritário, não refletindo o comportamento da maioria da população. Ela busca agora suporte na Embaixada do Brasil em Buenos Aires e avalia medidas judiciais contra a emissora que expôs os usuários. "Decidi desativar minhas redes porque acompanhar essa onda de ódio estava me deixando com muito medo de sair na rua", concluiu.

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