URGENTE SANITÁRIO

MPRN exige retomada de obras no Centro de Queimados do Hospital Walfredo Gurgel após alerta de risco sanitário

Fachada do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, com destaque para área em reforma.
Obras paralisadas no Centro de Tratamento de Queimados do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel geram alerta do MPRN.

O Ministério Público do Rio Grande do Norte determinou, em 21 de maio de 2026, a retomada imediata das obras de reforma do Centro de Tratamento de Queimados do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, sob pena de Ação Civil Pública.

O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) determinou, em 21 de maio de 2026, a retomada imediata das obras de reforma do Centro de Tratamento de Queimados do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel. A decisão, publicada no Diário Oficial desta quinta-feira, visa combater um grave risco sanitário, a carência de profissionais e a drástica redução na capacidade de atendimento desta unidade, referência no Estado.

A recomendação, endereçada aos secretários estaduais de Saúde Pública e Infraestrutura, além da direção-geral do hospital, estabelece um prazo de 15 dias úteis para que os gestores apresentem as providências adotadas. O objetivo é garantir a dignidade e a segurança dos pacientes que necessitam de cuidados especializados.

Apesar de os recursos para a conclusão da reforma, no valor de R$ 1,8 milhão, estarem assegurados, a paralisação dos serviços foi identificada pela 47ª Promotoria de Justiça de Natal e pela Central de Apoio Técnico Especializado (Cate). A interrupção ocorreu devido a pendências administrativas no pagamento à empresa contratada, comprometendo a continuidade essencial dos trabalhos.

As consequências dessa paralisação são alarmantes. O relatório técnico revela uma queda significativa no número de leitos disponíveis, de 20 para 12, impactando diretamente o atendimento a pacientes queimados. A unidade também perdeu a enfermaria de isolamento e o ginásio de reabilitação, essenciais para a recuperação e prevenção de infecções.

Agravando o quadro, constatou-se a ausência de médicos clínicos em regime de 24 horas, a falta de enfermeiros exclusivos por turno e de técnicos especializados. A inexistência de uma Sala de Recuperação Pós-Anestésica é outro ponto crítico, forçando a utilização de um único espaço para procedimentos como cirurgias, banhos e curativos de pacientes debilitados, aumentando exponencialmente o risco de infecções hospitalares cruzadas e comprometendo a segurança de todos.

Diante desse cenário, o MPRN exige a retomada imediata das obras e requalificação do Centro, com a garantia do cumprimento do cronograma. Paralelamente, determina a adoção urgente de medidas para reorganizar o fluxo assistencial, separar adequadamente as áreas de atendimento e assegurar o quantitativo mínimo de profissionais. O descumprimento dessas determinações acarretará o ajuizamento de uma Ação Civil Pública, evidenciando a gravidade da situação e a necessidade de ação imediata para proteger a saúde pública.

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