CRISE NO ABASTECIMENTO

Hospital Walfredo Gurgel registra desabastecimento de 189 itens

Fachada do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel.
Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, referência em atendimentos de urgência e emergência no Rio Grande do Norte.

Memorando aponta falta de insumos básicos e medicamentos críticos na unidade; Secretaria de Saúde contesta gravidade e nega risco à assistência.

A Divisão de Farmácia do Hospital Walfredo Gurgel notificou a Secretaria de Saúde do Estado, nesta sexta-feira (21/08), sobre a ausência de 189 itens essenciais para o funcionamento da unidade. O documento classifica a situação como de “extrema gravidade e vulnerabilidade assistencial”, destacando a falta de materiais básicos, como luvas e agulhas, além de medicamentos fundamentais para pacientes em estado grave, a exemplo da noradrenalina.

O impacto desse desabastecimento reflete diretamente na rotina de quem depende da rede pública. Familiares e acompanhantes relatam episódios de incerteza, com a necessidade de adquirir medicamentos por conta própria ou a dificuldade de acesso a itens de proteção básica para visitar pacientes em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O pedreiro Madson Silva, que acompanha o tio desde o dia 14/08, relata que chegou a presenciar a suspensão de trocas de curativos por falta de esparadrapo na segunda-feira (17/08).

De acordo com o levantamento interno, 25% do catálogo de insumos está em desabastecimento total, enquanto 11% dos itens operam em nível crítico, com estoque para menos de um mês. Apenas 64% do inventário do hospital é considerado regular.

Em resposta, a secretária adjunta de Saúde Pública do Rio Grande do Norte, Leidiane Queiroz, afirmou em entrevista à TRIBUNA DO NORTE que a situação não é alarmante. Segundo a gestora, a pasta mantém negociações constantes com fornecedores para sanar entraves logísticos e assegura que não há risco imediato à assistência hospitalar. A Sesap atribui os gargalos a questões burocráticas e reforça que remanejamentos internos e empréstimos entre hospitais têm sido utilizados como estratégia para evitar a descontinuidade do atendimento.

Sobre o custeio, a Secretaria de Saúde informou que a transição para recursos federais, provenientes da revisão do teto de Média e Alta Complexidade (MAC) junto ao Ministério da Saúde, deve permitir a regularização dos pagamentos e a redução da dívida histórica do hospital. Enquanto as licitações não são concluídas, a unidade segue operando sob regime de contingenciamento, com equipes médicas e de enfermagem relatando sobrecarga na gestão diária dos estoques limitados.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário