SAÚDE PÚBLICA AVANÇA
Novas vacinas contra chikungunya avançam no Brasil com foco em segurança
Anvisa avalia imunizante sem vírus vivo, enquanto Butantan amplia produção nacional e cientistas da USP testam tecnologia inovadora em testes pré-clínicos.
O cenário de prevenção contra a chikungunya no Brasil ganha novos contornos com o avanço de tecnologias de imunização. As iniciativas buscam mitigar os efeitos incapacitantes da arbovirose, que, embora apresente baixa mortalidade, pode provocar dores articulares persistentes e afastar cidadãos de suas atividades cotidianas por longos períodos.
Em junho deste ano, a farmacêutica Eurofarma submeteu à Anvisa o pedido de análise do imunizante “CHIKV VLP”. A vacina, aplicada em dose única, utiliza partículas semelhantes ao vírus e já possui autorização em países como Estados Unidos e Canadá. O diferencial tecnológico reside na ausência de vírus vivo, o que pode oferecer maior segurança para grupos específicos, como idosos e pessoas imunossuprimidas.
Paralelamente, o Instituto Butantan iniciou, em maio, a produção nacional da Butantan-CHIK em parceria com a Valneva. Atualmente, o imunizante faz parte de uma estratégia-piloto do Ministério da Saúde, conduzida em municípios de Alagoas, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Sergipe e São Paulo. Até o momento, cerca de 48.000 doses foram aplicadas. O Ministério da Saúde, contudo, ainda não definiu prazos para a oferta regular do imunizante no SUS, processo que depende da avaliação da Conitec sobre critérios de custo-efetividade.
No âmbito da inovação acadêmica, pesquisadores da USP, em colaboração com a Universidade de Bonn, desenvolveram uma terceira estratégia. Em estudos pré-clínicos realizados com camundongos, a tecnologia modificou o material genético do vírus para impedir sua replicação no organismo, mantendo a capacidade de estimular a resposta imunológica. Embora os resultados em modelos animais sejam promissores, a técnica ainda requer longos ciclos de testes para confirmar segurança e eficácia em humanos.
Especialistas reforçam que a vacinação é uma ferramenta complementar. A eliminação de criadouros do Aedes, vetor da doença, permanece como pilar indispensável, uma vez que as vacinas não substituem o controle ambiental necessário para frear a circulação da chikungunya, zika e outras patologias correlatas.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário