ABUSO DE PODER

MPMG denuncia vereador Edivalder Fernandes da Silva por tráfico de influência no SUS

Fachada do prédio da Câmara Municipal de Frutal
Denúncia aponta que o parlamentar teria utilizado influência política para furar fila do SUS em procedimentos realizados em Araguari. Foto: TV Integração/Reprodução

O parlamentar de Frutal é acusado de burlar a fila pública de saúde para beneficiar eleitores; denúncia foi formalizada pela 3ª Promotoria de Justiça de Frutal.

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou à Justiça o vereador Edivalder Fernandes da Silva, de Frutal, por crime de tráfico de influência. A ação, formalizada pela 3ª Promotoria de Justiça de Frutal, apura se o parlamentar utilizou o prestígio de seu cargo para furar a fila do Sistema Único de Saúde (SUS), prática que prejudica a isonomia no atendimento aos cidadãos. A denúncia foi protocolada com base em eventos ocorridos entre setembro e outubro de 2024, em conformidade com o que foi apurado pelas autoridades nesta segunda-feira, 13/07/2026.

Segundo a investigação, o vereador teria intermediado o acesso de três moradores de Frutal a procedimentos cirúrgicos de alta complexidade em Araguari, fora do fluxo regulamentado pela Secretaria Municipal de Saúde. A Promotoria aponta que o município não possuía convênio com a unidade hospitalar citada, o que significa que o atendimento teria ocorrido à margem dos critérios técnicos que garantem a equidade no acesso à saúde pública.

A promotora de Justiça Daniela Campos, responsável pelo caso, ressaltou que a utilização de influência política para sobrepor interesses particulares à gestão pública fere princípios fundamentais do sistema de saúde. Documentos e declarações feitas pelo próprio vereador em uma sessão da Câmara Municipal de dezembro de 2024 embasam as acusações. Na ocasião, o parlamentar teria admitido ter utilizado contatos políticos para viabilizar os procedimentos, mesmo diante da resistência da Secretaria Municipal de Saúde em autorizar as guias fora das normas administrativas.

Em sua defesa, o vereador Edivalder Fernandes da Silva negou qualquer irregularidade, afirmando que sua intenção era apenas auxiliar eleitores necessitados e que não possui vínculo com a instituição hospitalar mencionada. O Hospital Universitário Sagrada Família também refutou qualquer relação com o parlamentar, esclarecendo que recebe apenas pacientes regulados oficialmente pelo SUS.

Cabe agora à Justiça analisar o recebimento da denúncia e decidir sobre o prosseguimento da ação penal. O MPMG sustenta que a imunidade parlamentar não abarca condutas que desvirtuam a função pública, não servindo como proteção para atos classificados como criminosos.

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