COMBATE AO CONLUIO
MPDFT amplia ofensiva contra influenciadores e pede condenação de Virginia Fonseca por publicidade de bets
Ministério Público aponta conluio entre influenciadores e casas de apostas; órgão pede R$ 120 milhões por danos morais e investiga contratos de nomes como Neymar.
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) intensificou o cerco contra a publicidade de jogos de azar realizada por influenciadores digitais, buscando reparar danos causados a milhares de consumidores brasileiros. A decisão de protocolar uma ação civil pública contra a influenciadora Virginia Fonseca e a plataforma Blaze, formalizada nesta quarta-feira, 08/07/2026, visa responsabilizar as partes por um suposto “conluio predatório” que utiliza a imagem de personalidades para atrair apostadores mediante promessas de lucros irreais.
A ação pede que a influenciadora e a casa de apostas sejam condenadas solidariamente ao pagamento de, no mínimo, R$ 120 milhões por danos morais coletivos. O MPDFT sustenta que, ao atuar como um braço operacional da plataforma, a influenciadora potencializa riscos patrimoniais a seguidores em situação de hipervulnerabilidade, muitas vezes recorrendo a estratégias que simulam ganhos certos para estimular o vício e o prejuízo financeiro dos usuários.
O impacto dessas práticas reverbera diretamente na dignidade das famílias, que, seduzidas pela promessa de uma “renda extra”, acabam por comprometer verbas essenciais. O rigor do órgão fiscalizador reflete a necessidade de conter um modelo de negócio que, segundo as apurações, opera de forma sistêmica desde 2023, utilizando grandes nomes para validar plataformas que acumulam dezenas de milhares de reclamações por falhas na prestação de serviço.
A medida é uma ação civil, portanto, cabe recurso e o processo seguirá os trâmites legais para apuração definitiva dos fatos. Em paralelo, a Justiça também observa o caso do ex-BBB Felipe Prior, que se tornou réu em uma ação penal que tramita na 2ª Vara Criminal do DF. Prior responde por crimes contra as relações de consumo, com denúncia aceita em 13 de abril de 2026, após investigações revelarem contratos que previam comissões sobre as perdas dos apostadores indicados por ele.
Em nota, a defesa de Virginia Fonseca refutou as acusações de conluio ou atuação predatória, classificando as alegações como presunções baseadas apenas na condição de pessoa pública da influenciadora. O documento destaca que a defesa prestará esclarecimentos técnicos nos autos, confiando que a responsabilização civil deve ser pautada em provas concretas. Outros nomes citados pelo MPDFT, como Neymar Júnior e o casal Lucas Lira e Sunaika Bruna, também estão sob análise do órgão, que requisitou a exibição de contratos para compreender os limites da publicidade realizada por esses perfis.
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