FIM DE UMA ERA
Morte de líder do Tren de Aragua envia mensagem clara à América Latina, afirmam EUA
Governo de Donald Trump reafirma compromisso no combate ao narcotráfico e a organizações criminosas no hemisfério.
A morte de Héctor Guerrero, líder da organização criminosa venezuelana Tren de Aragua, em uma operação militar americana coordenada com autoridades da Venezuela, "envia uma mensagem clara à América Latina" sobre o empenho do governo do presidente Donald Trump em combater o narcotráfico. A declaração foi feita neste sábado, 13 de junho de 2026, por um funcionário do Pentágono, em resposta à confirmação da neutralização do criminoso durante confrontos.
"Não há refúgio para narcoterroristas em nosso hemisfério. O Departamento de Guerra e a Coalizão Anticartel das Américas (A3C) continuarão cumprindo a promessa do presidente Trump", afirmou Patrick Weaver, subchefe de gabinete do secretário de Defesa, Pete Hegseth. A operação, descrita por Trump como "rápida e letal", foi confirmada pelo presidente americano na sexta-feira, 12 de junho de 2026, através das redes sociais, acompanhada de um vídeo que mostrava a visão aérea de um edifício durante uma explosão.
O que é o Tren de Aragua?
Fundada na Venezuela, a facção Tren de Aragua foi oficialmente designada como organização terrorista pelos Estados Unidos. Sua atuação se estende por países como Colômbia, Peru, Chile e Brasil, com investigações indicando uma forte presença em Roraima, especialmente na região de fronteira com a Venezuela. Autoridades brasileiras e pesquisadores apontam que o grupo se dedica a uma série de crimes graves, incluindo tráfico de drogas e armas, exploração sexual, transporte ilegal de migrantes, extorsão e atividades ligadas ao garimpo ilegal.
Nos Estados Unidos, o Tren de Aragua é frequentemente associado pelo governo Trump ao aumento da violência e do tráfico de drogas. O presidente intensificou as ações contra a organização no último ano, implementando operações contra embarcações suspeitas de envolvimento em rotas de narcotráfico no Caribe e no Pacífico.
Quem era Héctor Guerrero?
Nascido em Maracay, Venezuela, em 1983, Guerrero iniciou sua trajetória criminosa no início dos anos 2000. Sua escalada incluiu pequenos delitos, roubos, um ataque a uma delegacia em 2005, e prisões por tráfico de drogas, homicídio e roubo em 2010 e 2013. Apesar de condenado a 17 anos em 2018 por crimes como homicídio e tráfico de armas, ele não cumpriu a totalidade da pena.
Mesmo encarcerado, Guerrero manteve o controle do Tren de Aragua, expandindo a facção e transformando-a em uma das maiores organizações criminosas da América Latina, utilizando o fluxo migratório da crise venezuelana como fachada. A prisão de Tocorón, sob seu comando, desenvolveu uma infraestrutura luxuosa com piscina, boate, cassino, áreas de lazer e até um zoológico. Uma megaoperação em 2023 para retomar o controle da prisão revelou arsenais e túneis, mas Guerrero conseguiu fugir na ocasião.
Em dezembro de 2025, o governo Donald Trump formalizou acusações contra Guerrero em um tribunal federal de Manhattan, incluindo conspiração para extorsão, terrorismo e importação de drogas. O Departamento de Justiça dos EUA ofereceu uma recompensa de até US$ 5 milhões por informações que levassem à sua captura. Guerrero também figurava como réu no mesmo processo federal em Nova York que envolve o líder venezuelano Nicolás Maduro, sua esposa Cilia Flores, o ministro do Interior Diosdado Cabello e um dos filhos do governante.
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