CRÉDITO AO AGRO

Ministro Durigan alerta que renegociação ampla pode restringir crédito ao agro

Dario Durigan, Ministro da Fazenda, falando em evento.
Ministro da Fazenda, Dario Durigan, em pronunciamento sobre o futuro do crédito agrícola no Brasil.

Para o ministro da Fazenda, Dario Durigan, propostas que incluam produtores em dia ou generalizem limites de juros podem retrair a oferta de financiamentos privados.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, alertou nesta quinta-feira, 21/05/2026, que uma renegociação ampla das dívidas rurais corre o risco de estrangular o acesso do agronegócio ao crédito. Ele explicou à CNN Brasil que propostas que beneficiem produtores adimplentes ou estabeleçam limites generalizados para os juros do crédito rural podem levar bancos privados a diminuir significativamente os financiamentos destinados ao setor.

Durigan manifestou preocupação com a possibilidade de aprovação de um texto no Congresso que abranja "toda e qualquer dívida agrícola, inclusive dívida adimplente, dívida de quem não precisa de renegociação". Segundo ele, tal medida poderia "criar um problema de restrição de crédito" para o setor.

A declaração surge em meio às discussões no Congresso Nacional sobre o projeto de lei que trata da renegociação de dívidas rurais. A proposta em debate prevê medidas como alongamento de prazos, maior período de carência e a criação de um fundo garantidor para auxiliar produtores endividados.

O ministro destacou que o risco de restrição de crédito é particularmente acentuado nas operações realizadas com instituições financeiras privadas. "Se o agricultor tem um contrato com o banco privado e esse contrato vai ser incluído numa renegociação sem que os bancos tenham acordo, tenham sido ouvidos, nós podemos criar um problema de restrição de crédito", pontuou.

Durigan também criticou iniciativas que visam impor um teto genérico para as taxas de juros do crédito rural. Ele argumentou que a imposição de limites rígidos, como taxas de 10% ou 12%, seria "um tiro no pé do agronegócio", pois os bancos poderiam simplesmente deixar de oferecer o crédito diante da inviabilidade da operação.

Apesar das ressalvas ao texto que tramita, o ministro assegurou que o governo está aberto a discutir alterações que visem auxiliar produtores que enfrentam dificuldades financeiras e estão inadimplentes. "Eu topo fazer uma renegociação atuada com o Congresso Nacional que você estenda prazo, altere o Manual de Crédito Agrícola para que a gente faça caber no bolso desse agricultor", disse, acrescentando que "dá para mexer em carência, dá para mexer em prazo."

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