CONTROLES E APREENSÕES

Ministérios Públicos e Receita Federal desarticulam esquema bilionário de apostas ilegais em PE, CE e SP

Imagem da Operação Conto da Sorte com mandados de busca e apreensão.
Operação Conto da Sorte cumpre 14 mandados de busca e apreensão em três estados.

Operação Conto da Sorte cumpre 14 mandados de busca e apreensão em Pernambuco, Ceará e São Paulo contra movimentação de bilhões em apostas ilegais. Não houve prisões.

Uma operação contra um esquema criminoso de movimentação bilionária através de apostas ilegais cumpriu, nesta quinta-feira, 18 de junho de 2026, 14 mandados de busca e apreensão em Pernambuco, Ceará e São Paulo. A Operação Conto da Sorte, conduzida pelos Ministérios Públicos do Rio Grande do Norte e de Pernambuco, com apoio da Receita Federal, visa desarticular a exploração irregular de apostas e jogos de azar na internet.

O objetivo principal é coletar provas sobre um esquema que envolve lavagem de dinheiro, induzimento à especulação, exploração de jogo de azar e loteria não autorizada, associação criminosa e crimes contra as relações de consumo. A medida, que não resultou em prisões nesta fase, busca apreender documentos e informações que detalhem a dimensão financeira das atividades ilícitas.

Os mandados foram expedidos pela 2ª Vara da Comarca de Currais Novos, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte. A investigação partiu de uma análise da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda, após a prefeitura de Bodó, município potiguar, ter criado a autarquia Lotseridó. Antes de encerrar suas atividades em outubro de 2025, a Lotseridó credenciou irregularmente empresas de apostas, que seguiram atuando à margem da SPA.

Embora o valor total movimentado pelas bets ilegais ainda precise ser totalmente revelado pelos dados coletados, a Receita Federal estima que ele chegue a bilhões de reais. A operação também busca apreender bens e direitos no valor de até R$ 145 milhões para garantir a restituição dos ilícitos apurados.

Como funcionava o esquema

O funcionamento do esquema criminoso revelado pela Receita Federal indica que os envolvidos constituíram dezenas de empresas para exploração de jogos de azar e apostas, além de instituições de pagamento. Essas empresas eram formalmente repassadas a terceiros sem capacidade econômica, enquanto o controle gerencial e financeiro permanecia com o grupo investigado.

  • Alguns dos sócios ostensivos eram beneficiários de auxílio emergencial, e outras empresas foram registradas em nome de parentes dos investigados.
  • Algumas das empresas identificadas sequer existem fisicamente, sendo usadas apenas para movimentação financeira.
  • A investigação apontou movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados, além de indícios de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro através da aquisição de imóveis.
  • Constatou-se a ausência de repasse sobre a receita líquida de apostas, conforme previsto na Lei nº 13.756/2023, que regulamenta a atividade das bets.

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