DIGNIDADE HUMANA VIOLADA

Ministério Público do Trabalho resgata 19 paraguaios em condição análoga à escravidão no PR

Foto dos alojamentos precários onde os trabalhadores paraguaios eram mantidos pelo arregimentador em Tapira.
Trabalhadores viviam sem condições dignas de moradia e com restrição de liberdade — Foto: MPT

Operação coordenada pelo MPT e BPFron liberta menores de idade e adultos em Tapira, onde vítimas enfrentavam servidão por dívida e restrição de liberdade.

O Ministério Público do Trabalho (MPT) realizou o resgate de 19 trabalhadores de nacionalidade paraguaia, incluindo dois menores de idade, que viviam sob regime de trabalho análogo à escravidão. A decisão de intervenção foi tomada para cessar a exploração laboral e garantir a dignidade humana das vítimas, sendo concretizada em uma operação conjunta com o Batalhão de Polícia da Fronteira (BPFron) na segunda-feira, 06/07/2026.

As investigações conduzidas pelo MPT revelaram que os trabalhadores residiam em duas casas no município de Tapira, no noroeste do PR, submetidos a condições degradantes. Relatos apontam que as vítimas dormiam em colchões sujos espalhados pelo chão e sofriam com alimentação restrita. O mecanismo de exploração era estruturado através da chamada servidão por dívida: despesas com aluguel, água e luz eram sistematicamente descontadas dos salários, restando aos trabalhadores quantias entre R$ 400 e R$ 500 mensais.

A liberdade dos indivíduos era severamente cerceada por um arregimentador, responsável por recrutar a mão de obra no Paraguai e cobrar pelo transporte até o Brasil. Segundo as autoridades, as saídas dos imóveis precisavam ser comunicadas ao agenciador, e o uso de telefones pessoais era restrito a trabalhadores de confiança, sob constante ameaça para evitar denúncias às autoridades.

No ambiente laboral, a negligência era completa: as vítimas não recebiam equipamentos de proteção individual, não possuíam acesso a refeitórios ou sanitários e não tinham reposição de água potável. O caso, que configura grave violação aos direitos humanos, segue sob investigação para a responsabilização criminal do arregimentador, sendo que a decisão de resgate é definitiva, embora o processo de punição aos responsáveis ainda caiba o devido trâmite legal.

Nesta quinta-feira, 09/07/2026, com o suporte de uma empresa do setor que colaborou de forma sigilosa para assegurar o retorno ao país de origem, os trabalhadores foram encaminhados de volta ao Paraguai, após um período de acolhimento em uma Casa de Passagem.

Para reportar casos de exploração, a sociedade pode utilizar o Sistema Ipê, plataforma da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), que permite o envio de denúncias de forma segura e anônima.

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