SISTEMA EM COLAPSO

Brasil pode atingir a marca de 1 milhão de presos até 2027

Fachada de presídio brasileiro em alusão à superlotação carcerária.
Superlotação e falhas estruturais marcam o sistema prisional brasileiro.

Anuário Brasileiro de Segurança Pública aponta crescimento ininterrupto da população carcerária e déficit severo de vagas no País.

O Brasil caminha para atingir a marca de 1 milhão de pessoas privadas de liberdade em 2027, caso o atual ritmo de expansão do sistema carcerário seja mantido. A projeção, baseada na análise de dados das últimas décadas, foi apresentada no Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado na quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Em 2025, a população prisional alcançou 964.668 indivíduos, um crescimento de 6% em comparação ao ano anterior. O aumento preocupa especialistas, especialmente pela disparidade entre o número de encarcerados e a capacidade real das unidades prisionais, que contavam com apenas 679.763 vagas, gerando um déficit crônico de mais de 280 mil lugares.

Segundo David Marques, gerente de programas do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a superlotação impede a efetividade de qualquer política de reintegração social. “No sistema superlotado, as estruturas, as políticas, os direitos e garantias que deveriam existir dentro do cárcere não são oferecidos de fato”, afirma Marques.

O impacto humano dessa realidade reflete-se na fragilidade do sistema: as mortes nas unidades prisionais cresceram 241% entre 2016 e 2025, totalizando 23.942 óbitos no período. A maior parte das mortes decorre de problemas de saúde e causas naturais, evidenciando falhas críticas no acesso à atenção básica e ao atendimento hospitalar básico dentro do cárcere.

Além da superlotação, o Anuário destaca a exclusão de grupos vulneráveis. Cerca de 70% das unidades prisionais carecem de qualquer acessibilidade para os mais de 10 mil presos com deficiência. Paralelamente, o sistema revela desigualdades estruturais, onde pessoas negras representam quase 70% da população prisional, enquanto o encarceramento feminino atingiu um recorde histórico de 57.222 mulheres, evidenciando a necessidade de políticas públicas que considerem essas especificidades.

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