ALERTA DE SEGURANÇA

Violência contra crianças registra alta de 17,25% no Brasil

Imagem ilustrativa sobre violência infantil e proteção de menores
Denúncias de agressão contra crianças aumentam 17,25% em 2026

Dados do Ministério dos Direitos Humanos apontam aumento preocupante de casos no primeiro semestre de 2026. Especialista detalha como identificar sinais de sofrimento.

O Brasil contabilizou 140.280 denúncias de violência física contra crianças e adolescentes nos primeiros seis meses de 2026. O número representa um salto de 17,25% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram registrados 119.621 casos, evidenciando uma escalada na vulnerabilidade de menores em todo o território nacional.

A gravidade da situação, extraída do painel do Ministério dos Direitos Humanos e filtrada pelo Metrópoles, materializa-se em episódios como o ocorrido em 5 de julho. Na ocasião, em Francisco Beltrão, no Paraná, um homem de 31 anos foi flagrado por câmeras de segurança agredindo a própria filha de 3 anos. O suspeito tornou-se réu após a Justiça aceitar a denúncia do Ministério Público do Estado (MPPR) e pode responder por tortura e lesão corporal.

Vulnerabilidade acentuada

O perfil das vítimas indica uma mudança alarmante: o percentual de meninas vítimas de violência subiu de 47,33% em 2025 para 50,89% em 2026. Em contrapartida, as notificações envolvendo meninos recuaram de 44,15% para 39,32%.

No primeiro semestre de 2026, todas as principais categorias de violações registraram alta. A exposição de risco à saúde lidera as estatísticas, com 119.793 registros, seguida por casos de maus-tratos, que totalizaram 88.037 ocorrências. As agressões diretas somaram 50.535 notificações, enquanto lesões corporais alcançaram 20.878 registros.

Sinais de alerta

A psicóloga clínica Lorrany Barreto ressalta que crianças e adolescentes demonstram o sofrimento por meio de alterações comportamentais. Em crianças menores, a regressão no desenvolvimento — como voltar a urinar na cama — e o choro excessivo são sinais de alerta. Já em adolescentes, o isolamento, a automutilação e comportamentos de risco são comuns.

"Muitas vezes, a criança excessivamente obediente ou quieta não demonstra maturidade, mas sim uma estratégia de sobrevivência", explica Lorrany. Segundo a especialista, o trauma precoce impacta diretamente o desenvolvimento cerebral, comprometendo a capacidade da criança de confiar em terceiros e regular emoções ao longo da vida.

Canais de proteção

O Disque 100 permanece como a principal ferramenta de combate à violência doméstica, funcionando de forma ininterrupta e permitindo denúncias anônimas. O Ministério dos Direitos Humanos ressalta que o registro é o primeiro passo para a apuração, cabendo ao sistema de Justiça a condução das investigações e a responsabilização dos agressores.

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