INVESTIGAÇÃO EM CURSO

Ministério Público contesta campanha governamental sobre fim da escala 6x1 junto ao TCU

Sede do Tribunal de Contas da União (TCU)
Tribunal de Contas da União (TCU)

Representação alega uso de R$ 80 milhões em verba pública para publicidade com viés político antes de conclusão de trâmite legislativo.

{"blocks":[{"key":"3qg3h","text":"Uma representação do Ministério Público junto ao TCU (Tribunal de Contas da União) solicita à Corte a abertura de investigação sobre o uso de R$ 80 milhões em recursos públicos destinados à campanha de comunicação em defesa do fim da escala de trabalho 6x1. A iniciativa foi apresentada nesta quinta-feira, 18/06/2026, pelo subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado, que também busca a análise para uma eventual suspensão cautelar da publicidade.","type":"paragraph"},{"key":"e03k6","text":"Na representação, Furtado argumenta que a campanha, lançada pelo governo federal para promover a proposta de redução da jornada de trabalho, apresenta características semelhantes às que levaram o TCU a suspender, em 2019, uma propaganda do então governo Jair Bolsonaro (PL) sobre o chamado 'pacote anticrime'. Na ocasião, o Tribunal considerou que não havia interesse público suficiente para justificar a utilização de recursos públicos na divulgação de uma proposta legislativa ainda em tramitação no Congresso Nacional, por extrapolar o caráter meramente informativo e aproximar-se da promoção de uma agenda política.","type":"paragraph"},{"key":"5o5v1","text":"O representante do Ministério Público sustenta que a atual campanha sobre o fim da escala 6x1 também trata de uma matéria que não concluiu seu trâmite legislativo. Embora a proposta tenha sido aprovada pela Câmara dos Deputados, ela ainda aguarda análise do Senado para entrar em vigor. O documento cita que a Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República) teria destinado cerca de R$ 80 milhões para a campanha, valor oito vezes superior aos aproximadamente R$ 10 milhões estimados para a propaganda do pacote anticrime suspensa em 2019.","type":"paragraph"},{"key":"7p9l2","text":"Para Furtado, o conteúdo das peças publicitárias vai além da prestação de informações à população e adota um tom de celebração da medida, atribuindo diretamente ao governo federal os méritos da proposta. Essa abordagem pode configurar desvio da finalidade constitucional da publicidade institucional, afetando a dignidade de debates públicos e a correta aplicação de verbas. A representação também questiona a transparência dos gastos, pois os valores detalhados das campanhas não estariam facilmente disponíveis ao público, o que justifica uma apuração específica por parte do órgão de controle.","type":"paragraph"},{"key":"8f2g7","text":"No pedido encaminhado ao TCU, o Ministério Público requer a análise da legalidade, legitimidade, economicidade e finalidade dos gastos com a campanha, incluindo contratos, valores investidos, meios de divulgação e conteúdo das peças. Solicita ainda que o Tribunal torne públicos os critérios utilizados para fiscalizar campanhas institucionais com potencial repercussão política, visando assegurar isonomia e coerência na atuação do órgão. Por fim, a representação pede que o TCU avalie a necessidade de suspensão parcial ou total da campanha enquanto a investigação estiver em andamento e, caso sejam identificadas irregularidades, determine a responsabilização dos gestores envolvidos e a adoção das medidas cabíveis.","type":"paragraph"},{"key":"1w4z5","text":"A CNN entrou em contato com a Secom da Presidência da República, mas até o momento não obteve retorno.","type":"paragraph"}]}

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário