DINHEIRO PÚBLICO

Ministério Público combate desvio de função em Prefeitura do RN

Ministério Público combate desvio de função em Prefeitura do RN

Irregularidades na gestão de Jardim de Piranhas podem levar à devolução de valores.

O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) recomendou à Prefeitura de Jardim de Piranhas, nesta sexta-feira, 08 de maio de 2026, a adoção de medidas urgentes para corrigir uma série de irregularidades na gestão pública. A decisão, que visa resguardar a probidade e a eficiência no uso dos recursos públicos, expõe um esquema de pagamentos indevidos de diárias e desvio de função, com impacto direto na confiança dos cidadãos e na qualidade dos serviços.

A investigação minuciosa do MPRN revelou que servidores ocupando cargos comissionados, destinados a funções de liderança e assessoramento, estariam desempenhando atividades operacionais que fogem completamente às suas atribuições. Esta prática não só desvirtua a estrutura administrativa como também mina a confiança na gestão pública e desrespeita o propósito dos cargos de confiança, que deveriam focar em planejamento e direção, e não em atividades operacionais rotineiras.

Um dos casos flagrados pelo Ministério Público ilustra bem essa distorção: um servidor comissionado, que deveria atuar em funções estratégicas, recebeu diárias para desempenhar o papel de motorista de uma secretária municipal. O órgão ressalta que essa conduta não só afronta os princípios constitucionais da administração pública, como também desperdiça o dinheiro do contribuinte, desviando-o de investimentos essenciais para a população.

Diante da gravidade das descobertas, o MPRN exigiu a suspensão imediata desse tipo de procedimento em toda a estrutura administrativa do município. Além disso, determinou que a devolução dos valores pagos indevidamente seja discutida por meio de um Acordo de Não Persecução Civil (ANPC), uma ferramenta que busca a reparação do dano e a responsabilização dos envolvidos sem a necessidade de um processo judicial completo inicialmente.

A Prefeitura de Jardim de Piranhas terá um prazo de 10 dias para informar de maneira oficial quais providências foram adotadas em resposta à recomendação. O Ministério Público alertou que a omissão ou a falta de ação por parte da gestão municipal poderá ser interpretada como conduta dolosa, apta a configurar atos de improbidade administrativa.

Caso as medidas recomendadas não sejam acatadas, o Ministério Público poderá escalar as providências, instaurando novas ações judiciais para responsabilizar os gestores e garantir a recuperação dos valores desviados, reforçando a importância de uma administração transparente e ética.

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