SAÚDE EM ALERTA

Ministério da Saúde vê risco ao SUS em projeto para serviços de resgate de bombeiros

Fachada do Ministério da Saúde
Ministério da Saúde

Proposta que destina recursos para resgates pré-hospitalares de bombeiros preocupa pasta. Integrantes do Executivo temem impacto no financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS).

A cúpula do Ministério da Saúde manifestou preocupação com um projeto de lei que autoriza a destinação de recursos da saúde para os serviços de resgate pré-hospitalar dos corpos de bombeiros. A principal apreensão, segundo integrantes do Executivo, reside no possível impacto negativo dessa medida sobre os fundos destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS), pilar fundamental do acesso à saúde para todos os brasileiros.

A iniciativa, proposta pelo deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP), visa incluir os serviços de resgate pré-hospitalar prestados pelos bombeiros militares estaduais e do Distrito Federal entre as atividades passíveis de receber emendas parlamentares voltadas à saúde. Na justificativa do projeto, Derrite argumenta que os bombeiros já atuam de forma integrada ao sistema público de saúde no atendimento a vítimas de acidentes e emergências, buscando com a proposta reconhecer essa atuação.

A preocupação com o financiamento do SUS não se restringe ao Ministério. O senador Humberto Costa (PT-PE), titular da Comissão de Assuntos Sociais (CAS), por onde a proposta tramita, também expressou receios. Em audiência pública realizada na segunda-feira, 8 de junho, o parlamentar defendeu uma análise criteriosa dos impactos da proposta sobre as políticas de saúde já consolidadas e financiadas pelo sistema público.

Humberto Costa, que foi fundamental na criação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) quando dirigiu a Secretaria de Saúde do Recife em 2001 e supervisionou a expansão nacional do serviço durante seu período como ministro da Saúde no primeiro mandato do presidente Lula, destacou em seu requerimento para a audiência pública que, "embora o projeto tenha objetivos legítimos, é necessário avaliar seus possíveis impactos sobre o financiamento das políticas públicas de saúde já estruturadas no SUS".

O Ministério da Saúde foi procurado para comentar o assunto, mas informou que não se pronunciaria. O espaço permanece aberto para manifestações.

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