SAÚDE E NUTRIÇÃO

Desmame precoce eleva risco de obesidade e doenças crônicas, aponta pesquisa da UERJ

Bebê amamentando como símbolo de saúde e nutrição.
O desmame precoce é um desafio de saúde pública global que impacta o desenvolvimento metabólico infantil — Foto: Adobe Stock

Estudo do Instituto de Biologia Roberto Alcantara Gomes revela como a interrupção da amamentação impacta o desenvolvimento metabólico e o futuro da criança.

O desmame precoce, definido como a interrupção da amamentação exclusiva antes do período recomendado, amplia significativamente o risco de mortalidade infantil, sobrepeso e doenças metabólicas crônicas ao longo da vida. A conclusão é fruto de estudos conduzidos pelo Laboratório de Fisiologia Endócrina do Instituto de Biologia Roberto Alcantara Gomes, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

No início de agosto de 2026, período em que se celebra a Semana Mundial de Aleitamento Materno (SMAM), a ciência reforça o papel vital do leite materno não apenas como alimento, mas como um mecanismo de proteção biológica. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Unicef, menos de 50% das crianças no mundo são amamentadas exclusivamente até o sexto mês, um dado que preocupa especialistas diante da necessidade de promover e proteger o ato de nutrir.

A equipe de pesquisa, liderada por especialistas como Patrícia Cristina Lisboa e Egberto Gaspar Moura, investiga o impacto de insultos sofridos durante a gestação e a lactação. A literatura, alinhada ao conceito de Origens Desenvolvimentistas da Saúde e da Doença (DOHaD), demonstra que o desmame antecipado gera um desequilíbrio hormonal. Esse processo afeta o controle da ingestão alimentar e do gasto energético da criança, criando um perfil metabólico que favorece o surgimento de obesidade e diabetes na vida adulta.

"Estimular o aleitamento é um ato de incentivo à saúde, inclusive reduzindo despesas em saúde pública", afirmam os pesquisadores. Para combater esse cenário, o movimento Agosto Dourado, que ocorre no Brasil, busca conscientizar a sociedade sobre o "padrão ouro" do leite humano. O sucesso da amamentação depende, contudo, de uma rede que envolve apoio familiar, licença-maternidade adequada e políticas públicas que combatam a desinformação.

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