SAÚDE EM ALERTA
Ministério da Saúde anuncia plano bilionário para combater efeitos do El Niño e mudanças climáticas no SUS
Investimento de R$ 9,8 bilhões visa preparar o Sistema Único de Saúde para eventos climáticos extremos até 2035, com foco em vigilância, atendimento e fortalecimento de insumos.
Em 30 de junho de 2026, o Ministério da Saúde tomou a decisão de lançar um abrangente plano de ação para mitigar os impactos do fenômeno El Niño e das mudanças climáticas sobre o Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa, motivada pela iminente ameaça de eventos climáticos extremos nos próximos anos, busca garantir a dignidade e a saúde da população brasileira ao fortalecer a capacidade de resposta do sistema público. O plano, parte do programa AdaptaSUS, prevê um investimento colossal de R$ 9,8 bilhões até 2035.
O El Niño, um padrão climático periódico no Oceano Pacífico tropical que altera ventos e eleva a temperatura das águas, começou neste mês de junho e tem efeitos globais em cascata. Para o Brasil, o segundo semestre de 2026 pode trazer um "super El Niño", com impactos climáticos que se estenderão até 2027, afetando milhões de brasileiros.
As consequências já são vislumbradas em todo o país. No Norte, a seca e a redução de chuvas impactam comunidades ribeirinhas com dificuldade de acesso a insumos básicos e aumento do risco de queimadas. O Nordeste enfrenta escassez hídrica e aumento do risco de incêndios. No Centro-Oeste, a redução da umidade do ar favorece queimadas. O Sudeste pode experimentar ondas de calor intensas, elevando o consumo de energia, enquanto o Sul se prepara para excesso de chuvas, com risco de enchentes e deslizamentos.
O programa se estrutura em cinco frentes: vigilância e alertas, coordenação entre governos, comunicação com gestores e população, fortalecimento da capacidade de atendimento e reforço de medicamentos, vacinas e água potável. Um painel permanente de especialistas orientará as ações do governo.
Como parte do plano, o Painel Nacional de Excesso de Calor emitirá alertas de até cinco dias de antecedência para municípios, integrando dados meteorológicos e vulnerabilidade social para antecipar riscos. O investimento também possibilitará a implantação de oito Centros Integrados de Saúde e Clima (CISC) nas cinco regiões do país, que reunirão informações sobre clima, saúde e vulnerabilidade social para respostas rápidas do SUS.
O primeiro CISC será inaugurado em Salvador (BA) em 1º de julho de 2026. Adicionalmente, a Bahia receberá a base regional da Força Nacional do SUS, que será expandida para oito bases regionais, ampliando em até 20 vezes a capacidade de pronta resposta em emergências sanitárias.
Em pesquisa, o PET-Saúde Clima recebe um investimento de R$ 266 milhões para financiar 197 projetos voltados aos impactos climáticos. O plano ainda inclui orientações para proteger idosos e adota nacionalmente um protocolo desenvolvido em parceria com a Prefeitura do Rio de Janeiro e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).
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