SAÚDE EM RISCO

Milhares de pacientes perdem tratamento vital no Brasil

Milhares de pacientes perdem tratamento vital no Brasil

A farmacêutica Libs retira o Emgality do mercado nacional. Decisão afeta quem depende da droga para enxaqueca crônica e busca alternativas.

A farmacêutica Libs decidiu descontinuar a venda do medicamento Emgality no Brasil a partir de junho de 2026, conforme comunicado à Anvisa em 4 de maio de 2026. A medida, justificada pela empresa como uma "atualização do portfólio da companhia", representa um duro golpe para milhares de pacientes com enxaqueca crônica. Muitos deles dependem da eficácia dessa droga para ter uma vida digna e agora enfrentam a incerteza sobre a continuidade de seu tratamento, em meio a expectativas frustradas de incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS) e aos planos de saúde.

O medicamento Emgality, cujo nome oficial é galcanezumabe, obteve aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) no final de 2019. Apesar de sua alta eficácia no controle das crises debilitantes de enxaqueca, o acesso à medicação sempre foi restrito para a maior parte da população devido ao seu elevado preço. Uma única aplicação mensal, que envolve três injeções consecutivas totalizando 300 mg em seringas pré-preenchidas, pode custar entre R$ 1.200 e R$ 1.300.

A empresa Libs não forneceu detalhes adicionais sobre os motivos para a retirada do Emgality do mercado nacional, limitando-se à declaração sobre a reorganização de seu portfólio. A decisão foi formalmente comunicada à Anvisa no início do mês. A farmacêutica garantiu que os estoques existentes do produto permanecerão disponíveis nas farmácias até que se esgotem, dando um prazo limitado para os usuários se adequarem à nova realidade.

A notícia gerou grande apreensão entre os pacientes. Usuários chegaram a organizar um abaixo-assinado online para tentar reverter a decisão, reunindo 534 assinaturas até a última segunda-feira, 11 de maio de 2026. A principal preocupação é que os medicamentos similares disponíveis no Brasil, como Pasurta e Ajovy, que também têm custo elevado (cerca de R$ 1.300 por caneta aplicadora), não sejam suficientes para suprir a demanda ou não ofereçam a mesma eficácia que o Emgality proporcionava, deixando muitos sem opções de tratamento acessíveis e eficientes.

Com informações de CNN

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