VENDA IRREGULAR DE MEDICAMENTOS
Mercado informal de canetas emagrecedoras supera vendas formais no Brasil
Estudo da Scanntech aponta que o canal informal pode ser responsável por mais da metade das doses de GLP-1 em circulação. O uso desses medicamentos cresceu 239% no primeiro trimestre de 2026.
A venda de canetas emagrecedoras em canais informais pode representar mais da metade das doses consumidas no Brasil, superando o mercado formal. Essa constatação emerge de um estudo da Scanntech, que revelou um crescimento de 239% no uso desses medicamentos no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior.
A análise combina dados de mercado formal e estimativas de consumo informal, baseadas na evolução das vendas de seringas em farmácias. A Scanntech utilizou a evolução das vendas de seringas como um indicador para estimar o consumo de medicamentos injetáveis adquiridos fora dos canais regulamentados.
A pesquisa quantitativa com consumidores indica que apenas 5,2% admitem o uso de medicamentos manipulados. Contudo, ao analisar os dados de mercado e o comportamento de compra, a estimativa sugere que mais de 50% das doses de GLP-1 em circulação no país podem ter origem informal.
"Embora não seja possível mensurar diretamente o mercado informal, podemos buscar relações. Observamos nas farmácias um crescimento das vendas de seringas de insulina muito superior ao que seria esperado apenas pela evolução do consumo de insulina. Esse excedente nos permite estimar que, possivelmente, mais de 50% das doses de GLP-1 em circulação no país, desde o último trimestre de 2025, estejam sendo consumidas fora do mercado formal em farmácias", explica Priscila Ariani, diretora de marketing da Scanntech.
A motivação para o uso do GLP-1 vai além das indicações médicas. O combate à obesidade lidera as razões declaradas (29,5%), seguido por perda rápida de peso (28,6%), controle do apetite (23,8%) e manutenção de peso (24,1%). Questões de saúde como redução do risco cardiovascular (22,8%) e diabetes tipo 2 (16,7%) aparecem em seguida.
O perfil predominante dos consumidores é de mulheres entre 25 e 34 anos, com renda mensal entre R$ 22 mil e R$ 32 mil. Observa-se que consumidores com mais de 50 anos apresentam o menor índice de consumo.
O impacto do uso dessas substâncias se reflete em diversas categorias de produtos, com crescimento em alimentos frescos (+11,5%), itens de academia e bem-estar (+9,6%), suplementos proteicos (+9,1%), água (+7,9%) e vitaminas (+7,4%). Além disso, 29% dos usuários relataram perda de massa magra, o que pode explicar o aumento na procura por proteínas e suplementos.
A diferença entre as pesquisas reflete metodologias distintas: a pesquisa com consumidores capta respostas declaradas, enquanto o estudo de varejo estima o consumo pelo comportamento de mercado, indicando que parte dos usuários pode não declarar ou desconhecer a origem informal de seu medicamento.
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