SAÚDE E BEM-ESTAR

Estilo de vida ajuda a explicar por que algumas pessoas adoecem menos

Jovem tossindo como símbolo de doenças respiratórias
Frequência de doenças é influenciada por uma série de fatores, desde hábitos diários até o ambiente de trabalho e rotina de vacinação. Metrópoles

Especialistas esclarecem que a resistência a infecções não é sorte ou imunidade privilegiada, mas o resultado de hábitos diários e exposições ambientais.

A frequência com que alguém enfrenta gripes e resfriados costuma ser motivo de curiosidade, especialmente em períodos de alta circulação de vírus respiratórios. Em vez de uma imunidade naturalmente superior, a resiliência do organismo é o resultado de uma engrenagem composta por genética, vacinação, nutrição, qualidade do sono e nível de exposição a patógenos.

A alergista e imunologista Raquel Letícia Tavares Alves, do Hospital Samaritano Higienópolis, em São Paulo, esclarece que não existe, na prática, uma imunidade inerentemente mais forte do que a outra. O que ocorre é uma resposta individual multifatorial às infecções. O ambiente é um componente determinante nesta equação; um profissional da educação que lida com crianças ou quem utiliza transporte público diariamente está, inevitavelmente, sob maior pressão viral do que alguém em regime de home office.

A infectologista Sumire Sakabe, do Hospital Nove de Julho, em São Paulo, reforça que o estado de saúde é dinâmico. Pessoas com bons níveis nutricionais, descanso adequado e o calendário de vacinação atualizado tendem a apresentar um menor índice de infecções respiratórias. Esse cenário é perceptível em crianças que, ao iniciarem a vida escolar, passam a enfrentar uma carga viral mais intensa, moldando a resposta do seu sistema de defesa.

O mecanismo de proteção do corpo humano funciona em camadas. A primeira linha de defesa é composta por barreiras físicas e biológicas, como a pele, mucosas e cílios das vias respiratórias. Caso esses filtros sejam ultrapassados, o organismo dispara uma resposta celular complexa, culminando na produção de anticorpos. O infectologista Werciley Júnior, do Hospital Santa Lúcia Sul, em Brasília, destaca que essa eficiência também depende da imunidade adquirida ao longo da vida, construída por contatos anteriores com vírus e pela imunização ativa.

Diante da oferta comercial de suplementos e terapias que prometem turbinar o sistema imune, as especialistas alertam para a falta de evidências científicas. Manter hábitos saudáveis é a única via reconhecida para que o organismo funcione em seu potencial máximo. A suplementação indiscriminada pode trazer riscos, enquanto a base da saúde permanece na tríade: vacinação, alimentação equilibrada e sono reparador.

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