VOLATILIDADE NAS COMMODITIES

Mercado global do café enfrenta volatilidade com efeito do El Niño

Plantação de café sob céu nublado indicando risco climático.
Colheita de café em Minas Gerais enfrenta desafios climáticos e atrasos em 2026.

Apesar de atingir o menor nível em dois anos, cotações reagem sob risco climático; colheita em Minas Gerais segue impactada por chuvas intensas.

A Organização Internacional do Café (OIC) consolidou em 13/07/2026 uma análise sobre o cenário do mercado global, que registrou queda de 2,8% entre maio e junho, atingindo o menor patamar de preços em dois anos, motivado pela previsão de uma safra robusta para o ciclo 2026/27. A estabilidade, contudo, é colocada em xeque por riscos climáticos que ameaçam a produtividade e a qualidade do grão, impactando diretamente o sustento de produtores e a oferta global.

O Indicador Composto de Preços da OIC (I-CIP) apresentou média de 248,90 centavos de dólar por libra-peso em junho. Após tocar o piso de dois anos em 09/06/2026, as cotações reagiram 17,4% ao final do mês. O movimento reflete a apreensão do mercado quanto à confirmação de um evento de El Niño, cujos impactos no regime de chuvas são monitorados por agências meteorológicas do Japão e dos Estados Unidos.

No Brasil, a realidade das lavouras traz desafios práticos. Em Minas Gerais, as chuvas excessivas registradas em junho dificultaram o trabalho de campo. De acordo com a Safras & Mercado, a colheita atingiu 44% em 24/06/2026, patamar inferior aos 51% verificados no mesmo período de 2025 e abaixo da média histórica de 47%. O excesso de umidade comprometeu a secagem e a integridade da colheita.

Apesar da incerteza, os fundamentos de oferta mantêm um viés de cautela. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta uma safra brasileira recorde, com alta de 14% frente ao ciclo anterior, enquanto a Conab estima a produção em 66,7 milhões de sacas. Nas exportações, o cenário mostra queda de 4,1% no envio de café verde em maio de 2026 frente a maio de 2025, com os Naturais Brasileiros registrando retração de 17,2%.

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