GEOPOLÍTICA E SEGURANÇA

O plano estratégico da China para reduzir a dependência do agro brasileiro

Lula e Xi Jinping em reunião de cúpula na China.
Lula e Xi Jinping em encontro oficial em Pequim. A parceria comercial vive momento de incerteza com a nova estratégia chinesa.

Pequim estabelece metas para ampliar a produção interna e investir em tecnologias de substituição, sinalizando uma mudança estrutural no mercado agrícola global.

A China definiu a segurança alimentar como uma prioridade estratégica central em seu 15º Plano Quinquenal Nacional (2026-2030), com o objetivo de reduzir sua vulnerabilidade a importações de alimentos. A decisão, que impacta diretamente a economia brasileira, foi tomada diante do receio de Pequim em manter uma dependência excessiva de mercados externos para alimentar sua numerosa população.

Conforme dados consolidados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as vendas brasileiras para o mercado chinês atingiram US$ 58,322 bilhões entre janeiro e junho de 2026, representando um crescimento de 21,9% frente ao mesmo período do ano anterior. Essa balança comercial é sustentada principalmente pela soja e carnes, insumos essenciais para a dieta chinesa, que atualmente importa cerca de 84% do consumo doméstico de soja.

A preocupação chinesa, contudo, ganha contornos de urgência diante das tensões geopolíticas globais e disputas comerciais. Especialistas, como a coordenadora do Programa Ásia do Cebri, Larissa Wachholz, explicam que a China encara a exposição excessiva a suprimentos externos como um risco estrutural. O plano de Pequim prevê a aceleração do uso de inteligência artificial no campo e o fomento a proteínas de laboratório, com o intuito de diminuir a demanda externa no longo prazo.

Relatórios, como o da consultoria Systemiq, sugerem que as importações chinesas de soja podem cair 25% até 2030, à medida que tecnologias de substituição avançam. Para Ricardo Abramovay, professor sênior do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo, o Brasil deve monitorar essa transição, já que o modelo chinês de desenvolvimento industrial — caracterizado por forte planejamento estatal e inovação — tem sido aplicado com sucesso em outros setores estratégicos, como o de veículos elétricos.

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