VIDA CELEBRA TRANSPLANTE
Menino potiguar conhece doador de medula óssea do Amapá após transplante em Natal
O encontro emocionante ocorreu em Natal, promovido pela Associação de Humanização e Apoio ao Transplantado de Medula Óssea (Hatmo), quase dois anos após o procedimento que salvou Daniel Petros.
Um abraço apertado, repleto de lágrimas e emoção, marcou o primeiro encontro entre um menino potiguar e seu doador de medula óssea amapaense, realizado em Natal nesta sexta-feira, 22 de maio de 2026. Quase dois anos após o transplante que salvou a vida do pequeno Daniel Petros, de 8 anos, a esperança e a gratidão transbordaram no reencontro mediado pela Hatmo (Associação de Humanização e Apoio ao Transplantado de Medula Óssea). Daniel, portador de anemia falciforme, passou pelo transplante em julho de 2024, em São Paulo. A compatibilidade veio de Andrew Roger Alves, um servidor público de 34 anos, morador de Macapá (AP), que se tornou a fonte de uma nova chance de vida. "Te dá um sentimento como se fosse um herói para uma pessoa. Em poder salvar aquela vida. Isso não tem preço", expressou Andrew, visivelmente emocionado ao abraçar pela primeira vez o menino. A batalha de Daniel pela vida iniciou aos oito meses de idade, com o diagnóstico da doença genética que afeta as células do sangue e causa dores intensas. Antes de completar um ano, precisou remover o baço. "Foram muitas crises de dor, foram muitas internações. Ele tomava muito sangue porque qualquer febre abaixava a hemoglobina dele. Então, assim, chegou a um ponto que o baço dele não aguentou", relatou a mãe do menino, Francineuri Priscila da Silva. Diante da gravidade, o transplante de medula se apresentou como a rota mais provável para a cura. Uma tentativa inicial com a medula do irmão de Daniel não foi adiante. Transfusões de sangue constantes geraram anticorpos que aumentaram o risco de rejeição, tornando o procedimento arriscado mesmo com a compatibilidade de 50% do irmão e da mãe. A salvação veio do cadastro voluntário de Andrew, que estava a mais de 2 mil km de distância. "Eu não tenho palavras para dizer, porque é uma criança. E saber que você vai dar uma oportunidade para uma pessoa viver, ter uma vida melhor... Isso mexe um pouco com a gente, porque eu tenho dois filhos. E assim como eu fiz, doando um pouco de vida para o Daniel, eu creio que eu ia querer também que fizessem pelos meus filhos", declarou Andrew. A presidente da Hatmo, Rosali Cortez, destacou a importância de histórias como essa para desmistificar a doação e inspirar novos voluntários. "As pessoas às vezes têm medo, né? E o amor, ele transcende ao medo, ao egoísmo de doar. Transcende a esse medo de doar e achar que vai tirar pedaço, que vai morrer. A gente tem que se entregar para salvar vidas, né? Então é muito importante quando alguém fala 'eu quero, eu vou, eu vou salvar uma vida'". Atualmente, Daniel celebra um novo capítulo, com saúde restabelecida e profunda gratidão ao seu doador. "O Andrew salvou a minha vida, me deixou eu ficar curado, curou minha força e me deixou mais rápido. Estou mais forte e estou mais curado. Estou muito feliz."
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