INVESTIGAÇÃO SOBRE ÓBITOS

Polícia Civil avança em inquéritos sobre mortes no Hospital da Criança Dr. Odorico Amaral de Matos

Fachada do Hospital da Criança em São Luís sob investigação
Investigações sobre mortes de crianças avançam com novos depoimentos

Depoimentos de pais revelam relatos de falhas no atendimento e negligência, enquanto Defensoria Pública do Estado do Maranhão aponta falta de insumos e profissionais nas UTIs pediátricas.

A Polícia Civil do Maranhão intensificou a apuração sobre denúncias de irregularidades no Hospital da Criança Dr. Odorico Amaral de Matos, em São Luís. Nesta segunda-feira (20), novos depoimentos de mães e pais de pacientes foram colhidos para compor os cinco inquéritos em curso, que buscam determinar se houve responsabilidade criminal nas mortes registradas na unidade pediátrica.

Relatos de dor e busca por respostas

Entre os casos analisados está o de Nicholas, de 7 anos. A mãe, Núbia Carneiro, relatou que o filho deu entrada na unidade no dia 7 de junho deste ano, falecendo após o que descreve como uma sucessão de falhas assistenciais. Segundo Núbia, a ausência de diagnósticos precoces e o preparo das equipes teriam sido determinantes para o desfecho trágico. O pai da criança, Arthur Zeeuw, afirmou que a família enfrentou obstáculos até mesmo para se despedir do menino por videochamada.

Além deste caso, os inquéritos investigam os óbitos de Otto, de 1 ano; Kerliane, de 7 anos; e os gêmeos Bernardo e Bento. O delegado Joviano Furtado, responsável pelas investigações, já requisitou os prontuários médicos para análise técnica, processo essencial para definir o prosseguimento das ações penais.

Defensoria Pública aponta precariedade

Paralelamente às investigações criminais, uma inspeção realizada no dia 15 de julho pelos defensores públicos Davi Rafael Silva Veras e Vinicius Goulart Reis revelou um cenário de insuficiência assistencial. A nota técnica aponta que as UTIs pediátricas operavam com déficit de profissionais especializados e falta recorrente de medicamentos.

O relatório destaca que, em diversos momentos, um único médico plantonista era responsável por até dez leitos de alta complexidade. A fiscalização também evidenciou que profissionais atuavam sem a especialização exigida pela Anvisa, e que a falta de insumos básicos obrigava a equipe a recorrer a alternativas terapêuticas menos eficazes.

Diante das evidências, a Defensoria solicitou ao Ministério Público do Maranhão e aos conselhos de classe (CRM, Coren e Crefito) a apuração rigorosa dos fatos, além de exigir que a Secretaria Municipal de Saúde (Semus) esclareça as divergências no funcionamento do Núcleo Interno de Regulação e nas taxas de mortalidade da unidade.

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