SAÚDE E NUTRIÇÃO

Uso de creatina e whey exige avaliação profissional, alerta nutricionista

Frascos de suplementos esportivos em bancada de cozinha.
A nutricionista Mychelle Kytchia alerta que suplementos não substituem uma dieta equilibrada.

Mychelle Kytchia defende que suplementos não são universais e alerta para os riscos da automedicação e do consumo baseado em tendências.

A suplementação com creatina e whey protein não é uma necessidade universal para praticantes de atividade física. O alerta sobre o consumo indiscriminado desses produtos foi feito por Mychelle Kytchia, nutricionista e doutora em Bioquímica e Biologia Molecular, que defende que o uso deve ser restrito a casos específicos, definidos mediante avaliação clínica e exames laboratoriais.

Segundo a especialista, o aumento na procura por suplementos, impulsionado muitas vezes por tendências e recomendações informais, tem levado indivíduos a ignorar que, na maioria dos cenários, uma alimentação equilibrada com o fracionamento correto de proteínas ao longo do dia é suficiente para suprir as demandas biológicas. Mychelle enfatiza que vitaminas, minerais e suplementos não possuem caráter preventivo e sua ingestão sem orientação pode comprometer a saúde.

No que tange aos perfis que poderiam se beneficiar, a doutora destaca idosos — focando na manutenção da massa muscular e neurogênese — e atletas de alta performance, como ciclistas e maratonistas, submetidos a um desgaste físico acentuado. Para quem frequenta a academia entre três e quatro vezes por semana por períodos curtos, a suplementação é considerada desnecessária, desde que haja um ajuste estratégico nas refeições com fontes proteicas naturais, como ovos e castanhas.

A nutricionista também abordou o uso do ômega 3, destacando seu papel no controle da inflamação crônica e na saúde cognitiva. Contudo, ela ressalta a necessidade de cautela: episódios de esquecimento, por exemplo, exigem investigação profunda antes de qualquer intervenção, podendo estar associados a desequilíbrios hormonais ou ao estresse cotidiano.

O risco da automedicação é um ponto central no alerta de Mychelle Kytchia. O uso não supervisionado pode gerar sobrecarga de micronutrientes, resultando em complicações como arritmias cardíacas decorrentes do excesso de potássio ou distúrbios gastrointestinais por doses elevadas de zinco. Além disso, a especialista adverte que o uso de ômega 3 exige acompanhamento rigoroso em pacientes que fazem uso de anticoagulantes, devido ao risco de hemorragias.

Ao finalizar, a especialista reforça que a base da saúde reside no consumo de alimentos in natura e na redução de ultraprocessados. Para manter o bem-estar e o rendimento, a recomendação é priorizar o planejamento das refeições e seguir a premissa de "descascar mais e desembalar menos".

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