DECISÃO NO STF
Mendonça determina retorno de Vorcaro à Papudinha e adia delação
Relator do caso Master, ministro André Mendonça, decide nesta quinta-feira (25.jun.2026) pelo envio de Daniel Vorcaro para a ala comum do complexo da Papuda, em Brasília, afastando a possibilidade de acordo de colaboração premiada no momento.
O ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), deve decidir nesta quinta-feira, 25 de junho de 2026, o retorno de Daniel Vorcaro para a chamada Papudinha, uma ala do presídio da Papuda, em Brasília. Atualmente, Vorcaro encontra-se detido na Superintendência da Polícia Federal. Essa decisão afasta, no momento, qualquer possibilidade de um acordo de colaboração premiada com o fundador do Master. Vorcaro já tentou formalizar um acordo de delação por duas vezes, mas as negociações não avançaram. A mudança para a ala comum da Papuda representa um revés para sua defesa, que buscava benefícios criminais semelhantes aos concedidos aos delatores da Lava Jato. A demissão de seus advogados anteriores, Roberto Podvall e José Luis Oliveira Lima, agrava a situação, deixando-o sem perspectivas imediatas de um acordo de colaboração premiada. A segunda negativa da proposta de delação, primeiramente pela Polícia Federal (PF) e, subsequentemente, pela Procuradoria-Geral da República (PGR), diminuiu as expectativas de retomada das tratativas. A estratégia da defesa visava a obtenção de vantagens legais por meio de um acordo formal. Adicionalmente, a recente sessão da 2ª Turma do STF, onde os ministros Gilmar Mendes e André Mendonça demonstraram divergências significativas sobre a condução das investigações, também contribuiu para a perda de atratividade da delação como tática defensiva, embora a homologação de acordos seja prerrogativa exclusiva do relator. COMPLIANCE ZERO As investigações sobre as fraudes ocorridas no Banco Master integram o escopo da operação Compliance Zero, iniciada pela 10ª Vara Federal de Brasília em novembro de 2025. A primeira fase resultou na prisão provisória dos principais executivos da instituição, que foi posteriormente liquidada pelo Banco Central (BC). Em novembro do mesmo ano, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) autorizou o uso de tornozeleira eletrônica e a prisão domiciliar dos investigados. O caso passou a tramitar no STF em dezembro de 2025, sob a relatoria do ministro Dias Toffoli. Ele autorizou a segunda fase da operação em janeiro de 2026, mas renunciou à relatoria em 12 de fevereiro, quando André Mendonça assumiu o caso. Vorcaro foi preso novamente no início de março de 2026 e está detido na Superintendência da PF em Brasília. Uma proposta de delação premiada foi apresentada por ele, mas sua análise pelo ministro do STF está prevista para as próximas semanas. Cronologia das fases da operação: * **1ª fase (18.nov.2025)** – Daniel Vorcaro é preso pela primeira vez em 17 de novembro de 2025, véspera da deflagração da operação, enquanto tentava sair do Brasil. A ação cumpriu 7 mandados de prisão e 25 de busca e apreensão em 4 Estados e no DF. O ex-banqueiro foi solto em 29 de novembro. * **2ª fase (14.jan.2026)** – A PF realizou buscas em endereços ligados a Vorcaro, apreendendo carros, relógios e dinheiro. Valores bloqueados ou sequestrados superaram R$ 5,7 bilhões. O objetivo foi investigar o uso de fundos fraudulentos para dissimular as finanças do Master. * **3ª fase (4.mar.2026)** – Vorcaro é preso novamente. Segundo a PF, o ex-banqueiro liderava um grupo que intimidava adversários e pagava propina a dois funcionários do BC. No mesmo dia, um colaborador de Vorcaro tentou suicídio sob custódia da PF, falecendo em 6 de março. * **4ª fase (16.abr.2026)** – Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, é preso. Ele é investigado por supostamente permitir operações sem lastro com o Master. A PF alega que Costa recebeu propina de Vorcaro em imóveis de luxo. * **5ª fase (7.mai.2026)** – O senador Ciro Nogueira (PP-PI) é alvo da operação. A PF aponta pagamento de propina de Vorcaro ao congressista, que nega. O ministro André Mendonça avaliou que a relação entre o político e o ex-banqueiro "extrapola a amizade". Houve bloqueio de R$ 18,85 milhões. * **6ª fase (14.mai.2026)** – Foram cumpridos 7 mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão em SP, MG e RJ. O pai de Vorcaro foi preso, acusado de articular o grupo de intimidação e espionagem do ex-banqueiro. * **7ª fase (19.mai.2026)** – A PF investiga o vazamento de informações sigilosas relacionadas ao Master. O ministro Mendonça determinou o afastamento de um perito da corporação. * **8ª fase (26.mai.2026)** – O ex-governador Cláudio Castro (PL-RJ) é alvo de mandados de busca e apreensão. A investigação apura suspeitas de crimes envolvendo o Master e o Rioprevidência, com movimentação total de R$ 3 bilhões, segundo a PF. * **9ª fase (18.jun.2026)** – O senador Jaques Wagner (PT-BA) e o empresário Augusto Lima são alvos da operação. A defesa de Wagner acionou o STF para anular a ação. Em 24 de junho, pressionado, Wagner deixou o posto de líder do Governo no Senado.
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