RISCO OCULTO

Melatonina: automedicação pode agravar saúde do coração, diz CRF-SP

Melatonina e risco cardíaco: Alerta do CRF-SP
Imagem ilustrativa de comprimidos de melatonina e um coração

Novo estudo da American Heart Association, base do alerta, aponta aumento de até 3,5 vezes na chance de insuficiência cardíaca. Anvisa já limita dose diária a 0,21 mg.

O Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo (CRF-SP) emitiu um alerta nesta sexta-feira, 14 de maio de 2026, sobre os perigos do uso prolongado de melatonina, popularmente usada para auxiliar no sono. Um informe técnico do Conselho relaciona o suplemento a um risco aumentado de insuficiência cardíaca, impactando a saúde cardiovascular de quem busca uma solução rápida sem acompanhamento adequado.

O alerta enfatiza que, apesar de muitos considerarem a melatonina um tratamento "natural" e inofensivo para distúrbios do sono, essa percepção é equivocada. O informe detalha contraindicações importantes, como interações com outros medicamentos, riscos associados ao consumo excessivo e o potencial de agravar comorbidades preexistentes. A livre comercialização dos suplementos esconde a ausência de dados robustos sobre sua segurança a longo prazo para a saúde cardiovascular.

Conforme o documento, a falta ou diminuição da melatonina natural no corpo pode desencadear distúrbios metabólicos e ritmos circadianos desregulados, que se retroalimentam. Esse ciclo vicioso, segundo o CRF-SP, tem como uma das consequências imediatas o desenvolvimento da obesidade.

É crucial lembrar que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estabelece, desde 2021, uma dose diária máxima permitida de 0,21 mg/dia para adultos. Além disso, o suplemento é expressamente contraindicado para crianças, gestantes, lactantes e profissionais que atuam em atividades de atenção contínua, onde a sonolência pode representar um risco.

Estudo de 2025 aponta ligação preocupante com insuficiência cardíaca

O informe do CRF-SP se baseia em um estudo impactante, divulgado pela American Heart Association em 2025. A pesquisa acompanhou 130 mil adultos que utilizaram melatonina por, no mínimo, um ano contínuo, ao longo de um período de cinco anos. Os resultados são alarmantes: identificaram um aumento de até 3,5 vezes na probabilidade de os participantes desenvolverem insuficiência cardíaca.

Os dados revelam que 90% dos participantes que usaram o suplemento ativamente tiveram maiores chances de hospitalização em um período de pelo menos cinco anos. Preocupantemente, esse grupo também registrou o dobro de risco de morte por outras doenças.

Contudo, os próprios pesquisadores da American Heart Association fazem um alerta crucial: a relação entre o uso de melatonina e os diagnósticos de insuficiência cardíaca ainda é considerada incipiente. A pesquisa possui limitações significativas, não foi desenhada para estabelecer uma relação direta de causa e efeito e, inclusive, contradiz estudos prévios que apontavam benefícios da melatonina para a saúde do coração. É importante frisar que o trabalho ainda aguarda revisão por pares, um passo fundamental no processo científico.

Melatonina: o que é e quais os seus efeitos?

A melatonina é um hormônio produzido naturalmente pelo cérebro, especificamente pela glândula pineal, em resposta à escuridão. Sua função primordial é induzir o estado de relaxamento e regular o ciclo sono-vigília. Nos suplementos disponíveis no mercado, a substância pode ser extraída de glândulas animais ou sintetizada em laboratório.

Além de seu papel no sono, a melatonina possui propriedades antioxidantes e antiapoptóticas, ou seja, ajuda a prevenir a morte celular programada. Seus componentes contribuem para proteger o DNA contra danos provocados pelo estresse oxidativo, um desequilíbrio entre radicais livres e antioxidantes no organismo.

Com informações de Gabriela Maraccini, da CNN em São Paulo, e Kristen Rogers, da CNN International.

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