RADIAÇÃO MÉDICA: MITOS

Medo da radiação afasta pacientes de exames médicos vitais

Profissional de saúde ajustando equipamento de tomografia computadorizada em hospital.
Avanços tecnológicos e protocolos de segurança tornam exames de imagem com radiação mais seguros.

Evolução tecnológica e protocolos de segurança reduzem drasticamente os riscos, mas o receio persiste e pode comprometer diagnósticos precoces.

O receio da radiação ainda impede que muitos pacientes se submetam a exames de imagem essenciais para o diagnóstico e tratamento de doenças, apesar de avanços tecnológicos significativos na área médica. Embora a associação popular com desastres como Hiroshima, Nagasaki, Chernobyl e o acidente com Césio-137 em Goiânia seja compreensível, a realidade dos procedimentos médicos modernos é distinta, focando na segurança e na precisão. Esta quinta-feira, 11/06/2026, marca um período em que a informação sobre os benefícios e a segurança desses exames é crucial para a saúde pública.

Na medicina atual, exames de imagem e tratamentos que utilizam radiação são procedimentos rotineiros e indispensáveis. O SUS, por exemplo, realiza anualmente mais de 100 milhões de exames de imagem com radiação ionizante, somando-se aos da rede privada para atingir 168 milhões de procedimentos por ano, conforme levantamento do Atlas da Radiologia no Brasil. Equipamentos modernos entregam imagens mais nítidas com doses de radiação substancialmente menores do que as empregadas no passado, um avanço que nem todos os pacientes conhecem.

No início da radiologia, entre o final do século XIX e o início do século XX, a falta de conhecimento sobre os efeitos da radiação ionizante expunha profissionais e pesquisadores a riscos reais, levando a graves consequências, como queimaduras, amputações e câncer. Hoje, a situação é radicalmente diferente, com proteção rigorosa para pacientes e técnicos, e equipamentos que incorporam inteligência artificial para otimizar resultados.

A tomografia computadorizada, embora seja o exame que mais expõe o paciente à radiação, teve seus equipamentos aprimorados. Além de capturar imagens com maior eficiência, o tempo de exposição foi drasticamente reduzido. Dispositivos atuais empregam algoritmos que ajustam a dose de radiação conforme a anatomia individual de cada paciente.

Os protocolos de proteção também acompanharam a evolução. Atualmente, nenhum exame com radiação é realizado sem uma justificativa médica clara, que demonstre que os benefícios diagnósticos superam os riscos, mesmo que mínimos. O princípio ALARA (As Low As Reasonably Achievable), que preconiza que a dose de radiação seja "tão baixa quanto racionalmente exequível", é rigorosamente aplicado.

A dosagem de radiação é calculada com base no peso e na altura do paciente, sendo ainda mais reduzida para crianças, cujas células em rápida multiplicação são mais sensíveis. Profissionais de saúde também têm seus limites de exposição anual controlados, garantindo sua segurança.

Pacientes são encorajados a dialogar com seus médicos sobre a real necessidade de exames, os benefícios esperados, os métodos de proteção empregados e a existência de alternativas sem radiação, como ultrassonografia e ressonância magnética. Em casos de gestantes que necessitam de tomografia abdominal ou pélvica, protocolos de proteção máximos são adotados.

É fundamental compreender que exames de imagem são ferramentas indispensáveis para a orientação terapêutica e não devem ser evitados por receio infundado. Os protocolos e tecnologias atuais asseguram a segurança de todos os pacientes, permitindo que a medicina avance com precisão e cuidado.

*Texto escrito pelo radiologista Giovanni Cerri (CRM 28697), do Serviço de Diagnóstico por Imagem do Hospital Sírio-Libanês e head de Radiologia da Brazil Health*

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