SAÚDE EM RISCO

Médica afirma: não existe quantidade segura para consumo de tabaco

Médica Carolina Salim, especialista em doenças respiratórias
Pneumologista Carolina Salim, da Clínica de Doenças Respiratórias Avançadas (CDRA), de São Paulo, alerta para os perigos do tabagismo.

Especialistas alertam que não há limite seguro para fumar cigarros, vapes ou outros produtos inalados, e que os benefícios de parar são imediatos, embora alguns danos possam ser permanentes. O tabagismo passivo também apresenta graves riscos à saúde.

Não existe quantidade segura para o consumo de cigarros, vapes ou qualquer outro produto inalado derivado do tabaco. A afirmação é da pneumologista Carolina Salim, da Clínica de Doenças Respiratórias Avançadas (CDRA), de São Paulo, que reforça que o risco à saúde não está atrelado apenas ao número de cigarros fumados por dia, mas também ao tempo total de exposição à fumaça. Especialistas explicam que, embora os benefícios de parar de fumar comecem rapidamente, algumas consequências podem se estender por muitos anos.

“Por isso, fumar ‘pouco’, mas por muitos anos, não deve ser visto como hábito inofensivo”, explica a especialista. A médica destaca que o risco é cumulativo, e quanto maior o tempo de exposição, maiores são os prejuízos ao organismo.

Os benefícios cardiovasculares são os primeiros a serem notados após a interrupção do hábito. Segundo o médico Helano Freitas, líder do Centro de Referência de Tumores de Pulmão e Tórax do A.C. Camargo Cancer Center, o risco de eventos como infarto e Acidente Vascular Cerebral (AVC) começa a diminuir em poucos meses.

No sistema respiratório, a parada do tabagismo interrompe a agressão contínua aos pulmões. No entanto, danos já estabelecidos, como o enfisema severo, podem não ser reversíveis. Nesses casos, o abandono do cigarro é fundamental para evitar a progressão da doença. “Parar de fumar ajuda a evitar piora”, alerta o médico.

No que diz respeito ao câncer, a redução do risco acontece gradualmente ao longo dos anos. O especialista estima que, após cerca de 15 a 20 anos sem fumar, o risco se aproxima significativamente do observado em pessoas que nunca inalaram fumaça.

A fumaça do cigarro, inclusive, prejudica gravemente quem não é fumante. Carolina explica que o tabagismo passivo aumenta consideravelmente o risco de desenvolvimento de câncer, doenças pulmonares e cardiovasculares. “A intensidade do risco depende do tempo de exposição, da proximidade com a pessoa que fuma e do ambiente”, afirma. Dados do CDC, órgão de saúde dos Estados Unidos, indicam que adultos não fumantes expostos ao fumo passivo têm um aumento de 20% a 30% no risco de câncer de pulmão e de 25% a 30% no risco de doença cardíaca.

É importante ressaltar que cigarros eletrônicos e dispositivos aquecidos, apesar de alterarem a composição da exposição, não tornam o hábito seguro. Conforme explica Freitas, o trajeto do vapor pelo corpo é similar ao da fumaça tradicional, atingindo as vias aéreas, os pulmões e podendo ter substâncias absorvidas pela corrente sanguínea. “Já há evidências de lesões agudas nas vias aéreas associadas ao uso de cigarro eletrônico”, alerta. Os efeitos a longo prazo sobre o risco de câncer ainda são um campo de estudo em desenvolvimento, dada a relativa novidade desses dispositivos.

Quando procurar avaliação médica

Pessoas que fumam ou já fumaram devem estar atentas a sintomas como tosse persistente, falta de ar, perda de peso inexplicada, dor no peito, rouquidão prolongada e presença de sangue na tosse. Carolina ressalta que indivíduos com mais de 50 anos, que fumam ou pararam há menos de 15 anos, e com um histórico de pelo menos 20 maços-ano de tabagismo, têm indicação de rastreamento anual com tomografia de tórax de baixa dose para detecção precoce de câncer de pulmão.

A mensagem final dos especialistas é clara: a única quantidade considerada segura para o consumo de tabaco é zero. O tabaco expõe o corpo inteiro a substâncias tóxicas, e os danos vão muito além do sistema respiratório.

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