ALERTA DE SAÚDE
Maxxing: por que a busca excessiva pela perfeição nas redes sociais pode ser perigosa
A tendência que propõe a maximização da aparência e produtividade pode esconder riscos sérios à saúde mental e física, alertam especialistas.
A busca incessante por otimizar aspectos da vida, como aparência física, produtividade e sono, ganhou um nome nas plataformas digitais: maxxing. A prática, que se popularizou rapidamente no Tik Tok e no Instagram, motiva usuários a levar o corpo e a mente a limites extremos sob a promessa de resultados acelerados.
Embora a ideia de buscar hábitos melhores pareça positiva, profissionais de saúde alertam que a tendência pode comprometer seriamente o equilíbrio emocional e a integridade física dos indivíduos. O fenômeno atinge majoritariamente jovens, que utilizam essas plataformas como régua para a própria validação pessoal.
O peso da comparação e a obsessão
Segundo a psicóloga cognitiva Rejane Sbrissa, de São Paulo, o maxxing responde a uma necessidade humana básica de pertencimento. No entanto, quando a evolução pessoal é substituída pela obsessão, o impacto na dignidade e na autoestima é severo. O indivíduo passa a acreditar que seu valor é intrinsecamente ligado à sua aparência ou à capacidade de manter um padrão inalcançável.
"O problema surge quando a busca por evolução se transforma em obsessão, levando a comparações constantes, baixa autoestima, ansiedade e à crença de que o próprio valor depende da aparência ou da aprovação dos outros", enfatiza Rejane.
Resultados irreais e riscos biológicos
A doutora em Educação Física Emy Suelen Pereira, também de São Paulo, aponta que o maior risco reside na promessa de protocolos universais vendidos por influenciadores. De acordo com a especialista, o organismo humano não funciona como uma fórmula matemática, e resultados consistentes dependem de uma combinação complexa de genética, sono, nutrição e histórico pessoal.
"O problema do maxxing não está no desejo de evoluir. Está na promessa de que existe um protocolo universal capaz de transformar qualquer pessoa rapidamente", explica Emy.
Além da frustração emocional, a prática tem gerado o uso indiscriminado de suplementos e substâncias químicas sem supervisão profissional. O consumo desmedido pode sobrecarregar órgãos como rins e fígado, além de interagir negativamente com outros medicamentos, criando uma falsa sensação de segurança perigosa para a saúde a longo prazo.
Para as especialistas, o caminho para o bem-estar permanece sendo o acompanhamento profissional e a flexibilidade. O autocuidado torna-se nocivo quando é movido pelo medo da comparação, deixando de ser uma jornada de saúde para se tornar um ciclo de sofrimento e isolamento.
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