DESVIO DE EMENDAS?

Mario Frias nega destinação de emendas para filme sobre Bolsonaro

Deputado federal Mario Frias
Deputado federal Mario Frias (PL-SP)

Deputado argumenta ao STF que verbas destinadas a ONG não foram usadas em produção cinematográfica e pede arquivamento de apuração.

O deputado Mario Frias (PL-SP) declarou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a acusação de ter direcionado emendas parlamentares para o filme "Dark Horse", que aborda a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, é "absolutamente falsa, desprovida de qualquer lastro probatório e difamatória". A manifestação ocorreu nesta segunda-feira, 25/05/2026.

O filme "Dark Horse", cujo título em inglês significa "azarão", ganhou destaque após reportagens indicarem financiamento pela empresa do empresário Daniel Vorcaro, atualmente preso em Brasília. O senador Flávio Bolsonaro (PL) confirmou ter intermediado negociações e cobrado pagamentos de Vorcaro, que repassou aproximadamente R$ 61 milhões ao projeto antes de sua prisão.

Há mais de dois meses, o STF buscava notificar Frias para que prestasse esclarecimentos sobre um pedido de investigação iniciado pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP). A deputada questionou o que ela definiu como um "ecossistema" de empresas gerido por Karina Ferreira da Gama, responsável pela produção de "Dark Horse".

Imagem de divulgação do g1

A defesa de Mario Frias solicitou o arquivamento da apuração. Argumenta que "não há, nos Autos, uma única prova sequer de que esses recursos tenham sido desviados para qualquer produção cinematográfica". A defesa classifica a alegação como "puramente especulativa e baseada em uma suposta associação ilícita entre pessoas jurídicas que, segundo a denunciante, 'compartilham endereço'", descrevendo o argumento como "frágil, insuficiente e juridicamente irrelevante".

Advogados do deputado ressaltam que uma análise técnica da Câmara dos Deputados não apontou irregularidades nas duas emendas apresentadas. "Tais documentos — oficiais, técnicos e subscritos por autoridades competentes — desmontam por completo a frágil narrativa da denunciante, que se baseia exclusivamente em reportagens jornalísticas e ilações sem qualquer suporte probatório minimamente robusto", afirma a defesa.

A defesa sustenta que a verba foi destinada a "projetos de inclusão digital, letramento e empreendedorismo e esportes para crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social — finalidade pública, social e constitucionalmente legítima". Conforme a manifestação, qualquer alegação de desvio ou irregularidade é prematura, pois o processo de prestação de contas ainda está em curso e não houve apontamentos de inconformidades por órgãos de controle como CGU, TCU e CONOF.

Mario Frias teria destinado R$ 2 milhões em duas emendas para a ONG Instituto Conhecer Brasil, presidida por Karina Ferreira da Gama, produtora de "Dark Horse". Em 21 de março, o ministro Flávio Dino determinou que Frias se manifestasse em cinco dias sobre os fatos relatados por Tabata Amaral. No dia 14 de abril, o STF registrou que tentativas de intimação de Frias em seu gabinete parlamentar não obtiveram sucesso, levando Dino a solicitar à Câmara os endereços do deputado. Novas tentativas de contato na última semana também foram infrutíferas. Em 15 de abril, Flávio Dino iniciou uma apuração preliminar sobre a destinação de emendas por deputados do PL a ONGs ligadas à produtora do filme.

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