SAÚDE MENTAL EM GUERRA

Psicóloga oferece suporte a brasileiros na linha de frente da Guerra da Ucrânia

Psicóloga em seu consultório atendendo pacientes remotamente.
Cláudia Serathiuk realiza atendimentos online para brasileiros em zona de conflito.

Especialista atende voluntários brasileiros em combate; relatos revelam traumas, angústia e a busca por um sentido de pertencimento longe de casa.

Brasileiros que se alistaram para combater na Guerra da Ucrânia enfrentam um colapso emocional profundo, marcado pelo medo constante da morte e pela exposição a cenários de extrema violência. A dimensão desse drama é acompanhada de perto pela psicanalista Cláudia Serathiuk, sediada em Curitiba, Paraná, que oferece atendimento psicológico remoto a esses combatentes em meio ao conflito.

Desde o ano passado, Cláudia, que é pesquisadora do Núcleo de Estudos da Ucrânia da USP, dedica-se a auxiliar esses indivíduos. A iniciativa surgiu após uma solicitação de uma ONG que atua no suporte a cidadãos brasileiros em território ucraniano. Segundo a profissional, o impacto psicológico é severo, com pacientes relatando episódios de estresse pós-traumático e estados de hipervigilância, agravados pela falta de infraestrutura e pela barreira linguística enfrentada no Exército ucraniano.

Embora não existam dados oficiais precisos, estima-se que cerca de 2.000 brasileiros tenham partido para o conflito, com centenas de baixas registradas. O trabalho de Cláudia, que se tornará base para uma pesquisa de doutorado, busca compreender as motivações desses jovens. "Eles chegam desabando. Relatam a devastação dos corpos de forma crua, situações terríveis que não têm como descrever", relata a psicanalista.

A psicóloga aponta que o perfil predominante não possui ligação étnica com a Ucrânia. Muitos buscam no militarismo uma forma de autoafirmação e validação de uma masculinidade idealizada, frequentemente impulsionada pelas redes sociais. Além do atendimento direto aos combatentes, Cláudia coordena um grupo de apoio voluntário voltado aos familiares daqueles que perderam a vida no front, uma tarefa complexa devido às dificuldades burocráticas para a repatriação de restos mortais e o reconhecimento de óbitos pela Justiça ucraniana.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário