PSICOLOGIA DOS VÍNCULOS
Teoria do apego: como os quatro estilos moldam nossas conexões
Conheça os padrões emocionais que definem como nos relacionamos e descubra a possibilidade de transição para um apego seguro.
A compreensão das dinâmicas afetivas ganhou um novo contorno com a popularização da teoria do apego, um modelo psicológico que explica por que indivíduos reagem de maneiras tão distintas ao buscar proximidade ou ao enfrentar o distanciamento. A teoria, que ganhou destaque nas redes sociais como o TikTok, oferece ferramentas para que pessoas como Lizzy — nome fictício de uma das entrevistadas — compreendam comportamentos que antes pareciam inexplicáveis em suas vidas amorosas.
Lizzy relata ter passado anos acreditando que suas dificuldades em manter conexões estáveis eram insolúveis. Foi ao identificar-se com o chamado estilo evitativo-assustado que ela encontrou uma explicação para o ciclo de busca por proximidade, seguido pelo medo paralisante de rejeição que a levava ao afastamento. Para muitos, a teoria funcionou como a peça de um quebra-cabeça emocional.
Desenvolvida originalmente pelo psiquiatra britânico John Bowlby na década de 1950, a premissa fundamental sugere que os laços formados com os primeiros cuidadores estabelecem nossas expectativas para todas as relações futuras. Quando o suporte emocional é imprevisível ou distante, o indivíduo tende a desenvolver estratégias defensivas para evitar o sofrimento.
Os quatro estilos de apego
- Ansioso: Marcado pelo receio constante de rejeição e pela busca frequente de reafirmação.
- Evitativo: Prioriza a independência excessiva e encara a intimidade emocional como uma ameaça à autonomia.
- Evitativo-assustado: Combina o desejo de proximidade com o medo do abandono, resultando em comportamentos contraditórios.
- Seguro: Caracterizado pela facilidade em confiar nos outros, comunicar necessidades e buscar apoio quando necessário.
O professor de psicologia Pascal Vrticka, da Universidade de Essex, alerta, contudo, para os perigos da simplificação excessiva. Embora o sucesso da teoria tenha trazido luz a questões importantes, Vrticka destaca que os estilos de apego não são sentenças fixas. “A boa notícia é que há evidências que demonstram que o apego seguro é o mais estável. Quando você se torna seguro, a tendência é permanecer assim”, afirma.
A jornada rumo à segurança emocional, segundo o autor Amir Levine, pode ser pavimentada por pequenas interações diárias — chamadas por ele de SIMIs. Ao monitorar interações positivas, o cérebro começa a reconfigurar suas expectativas, construindo evidências de que o ambiente relacional pode ser, de fato, um lugar seguro.
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