DECISÃO CRUCIAL
Lula decide futuro de Jaques Wagner após aliados defenderem saída
Encontro entre presidente e senador nesta quarta-feira (24) definirá permanência na liderança do Senado, pesando amizade de décadas, campanha e investigações.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reúne nesta quarta-feira, 24/06/2026, com o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), no Palácio da Alvorada. O encontro visa definir o futuro do senador na liderança, em meio a divergências entre aliados sobre sua permanência. A decisão impacta diretamente a imagem do governo e a articulação política para as eleições.
Auxiliares presidenciais, incluindo ministros, defendem a saída imediata de Jaques Wagner do cargo. Acreditam que essa medida poderia preservar a imagem do governo diante das investigações recentes. No entanto, para os apoiadores do senador baiano, a renúncia seria um reconhecimento de culpa, e preferem sua permanência por tempo indeterminado.
Uma terceira via sugere que Jaques Wagner permaneça na liderança até julho, quando inicia o recesso parlamentar. Essa opção permitiria que ele se dedicasse integralmente à sua campanha de reeleição ao Senado, saindo do posto com um argumento mais estratégico.
A profunda relação pessoal entre Lula e Jaques Wagner, que se estende por cinco décadas, adiciona uma camada afetiva à decisão. A amizade já influenciou momentos cruciais na política do PT, como em 2018, quando Jaques Wagner chegou a ser cogitado como candidato à presidência em vez de Fernando Haddad.
Jaques Wagner também se defende publicamente, alegando ter sido injustiçado pela Polícia Federal (PF) na 9ª fase da Operação Compliance Zero. Ele sustenta que a PF cometeu equívocos em seu relatório e que não houve qualquer ato de ofício que o beneficiasse em relação ao Banco Master.
O peso político do 'palanque baiano' também é um fator relevante para o presidente Lula. A Bahia representa o quarto maior colégio eleitoral do Brasil e é um estado estratégico para o PT. A presença de Lula em Salvador para as festas de 2 de julho, data que celebra a independência da Bahia e do Brasil, e sua proximidade com figuras como Jaques Wagner, Rui Costa e Jerônimo Rodrigues, reforçam a importância da articulação local para a manutenção da força política do partido.
A preocupação do PT se estende à possibilidade de novas revelações que possam comprometer não apenas Jaques Wagner, mas outras lideranças do partido na Bahia, em desdobramentos das investigações.
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