GOVERNO E SENADO
Lula aguarda gesto de Alcolumbre para restabelecer diálogo após revés no STF
A tensão entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, se intensificou após a rejeição de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal em março, marcando a primeira recusa de um indicado em 132 anos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) busca restabelecer o diálogo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), aguardando um gesto do senador para normalizar a relação. O cenário de tensão surgiu após o Senado rejeitar a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal em março, uma decisão que repercutiu profundamente e afetou diretamente a autoridade presidencial, além de ser a primeira vez em 132 anos que um indicado ao STF não obteve aprovação. O mandatário expressou a aliados o peso dessa derrota, comparando sua dificuldade com a do próprio indicado.
Intermediários de ambas as esferas de poder, incluindo os ministros José Múcio e José Guimarães, trabalham ativamente para mitigar o atrito entre as duas lideranças. Um interlocutor próximo a Alcolumbre sinalizou que o senador estaria aberto a um encontro com Lula, caso fosse formalmente convidado.
A equipe governamental avalia que Alcolumbre teria orquestrado a rejeição de Messias visando fortalecer a posição de Rodrigo Pacheco para a vaga no STF. O senador, contudo, refuta essa interpretação, atribuindo o resultado a falhas na articulação política por parte do Planalto.
Desde a controvérsia sobre a indicação, Lula e Alcolumbre cruzaram caminhos em duas ocasiões públicas. Em seu último encontro, realizado na quarta-feira passada, a conversa foi breve, durando cerca de dez minutos em uma sala reservada do TCU, sem que fossem abordados temas de alta sensibilidade.
A decisão de derrubar vetos presidenciais à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), ocorrida na quinta-feira, foi interpretada por aliados do governo e do Congresso como um indicativo de ajuste político. Essa votação incluía uma pauta de alta relevância para Alcolumbre, que havia anunciado sua apreciação durante a Marcha dos Prefeitos em Brasília.
Um aliado do senador destacou que houve um consenso entre as lideranças políticas de que a derrubada dos vetos não configuraria uma derrota imposta ao governo. Um líder do Senado descreveu o processo como um caminho necessário para a construção de consensos.
Apesar desses sinais de aproximação, Alcolumbre não compareceu a um evento no Palácio do Planalto na quarta-feira, que celebrava os 100 dias do pacto entre os três Poderes no combate à violência contra a mulher. A assessoria do senador informou que ele possuía um compromisso pessoal prévio.
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