TENSÃO NA ESCOLHA
Lula adia nome ao STF e critica articuladores
Presidente reage com irritação após frustração com indicação de Jorge Messias e é aconselhado a esperar.
A intensa pressão política sobre a escolha para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) levou o presidente Lula a ser aconselhado, por ministros do Judiciário, a adiar a indicação de um novo nome. A revelação desta movimentação, ocorrida nesta segunda-feira, 04 de maio de 2026, expõe a profunda irritação do chefe do Executivo, que, na última semana, teria disparado duras críticas contra os articuladores que inviabilizaram o nome de Jorge Messias. Essa postergação não apenas reflete o desgaste entre os poderes, mas também tem um impacto direto na estabilidade da alta corte e na capacidade de o governo avançar com sua agenda.
Em encontros recentes com figuras do Judiciário, o presidente expressou seu descontentamento com veemência, taxando de "filho da p." os responsáveis pela intensa articulação para barrar a chegada de Jorge Messias à corte. Lula está convicto de que essa manobra não partiu apenas do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), estendendo sua irritação a todos que observaram o desfecho sem intervir em defesa do nome.
A lista dos descontentes, por parte do presidente, inclui o ministro da Justiça, Wellington César. Ele, que assumiu a pasta em janeiro substituindo Ricardo Lewandowski, viu-se desgastado pelo episódio, por sua atuação considerada retraída na defesa do candidato Messias, comportamento que, segundo fontes, tem marcado sua gestão.
Como consequência e possível retaliação, o ministro indicado pelo PT da Bahia pode perder o cargo, sendo substituído pelo próprio Messias. Se confirmada, esta será a terceira mudança de comando promovida por Lula no Ministério da Justiça, que já foi liderado por Flávio Dino e Lewandowski. Tal instabilidade em uma área tão sensível como a segurança pública, tema crucial para as próximas eleições, compromete a continuidade dos trabalhos e a apresentação de resultados consistentes à população.
Enquanto isso, a corrida por uma cadeira no Supremo segue com outros nomes em pauta. O ministro do TCU (Tribunal de Contas da União), Bruno Dantas, responde aos questionamentos sobre sua vez na disputa afirmando que não há entusiasmo. De forma diplomática, ele indica que sua rotina no TCU é mais compatível com seu momento atual – uma clara sinalização de que a recente turbulência política afastou o desejo de enfrentar um processo de indicação tão desgastante.
Na leitura de Lula, o MDB teria votado contra Messias justamente na tentativa de pavimentar o caminho para a indicação de Bruno Dantas ao STF.
Outra cotada é a ministra Daniela Teixeira, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), cujo nome, no entanto, encontra algumas ressalvas. Em uma conversa recente com o presidente, a ministra teria alegado receber menos que seus colegas no STJ – uma informação que, ao ser repassada por Lula, foi prontamente desmentida, não correspondendo aos fatos.
A indicação de Daniela Teixeira ganha força em meio à crescente demanda por mais mulheres no Supremo. Atualmente, Cármen Lúcia é a única representante feminina entre os dez ministros, o que intensifica o clamor por uma composição mais equitativa na mais alta corte do país.
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