VIDA MARINHA EM FOCO

Lobo-marinho é resgatado após jornada de milhares de quilômetros na Ilha Grande

Lobo-marinho deitado na areia da Praia de Parnaioca durante resgate.
Lobo-marinho resgatado após aparecer na Praia de Parnaioca, na Ilha Grande. Foto: Moacyr Neto

Animal percorreu cerca de 3,7 mil km até chegar ao litoral do Rio de Janeiro; equipe especializada realizou o resgate após sinais de desnutrição.

Um lobo-marinho-de-peito-branco foi resgatado com sinais de desnutrição na Praia de Parnaioca, localizada na Ilha Grande, em Angra dos Reis (RJ). A decisão pelo resgate, tomada pela equipe da Econservation no domingo (19), ocorreu após o animal apresentar um comportamento considerado anormal e debilitado, tornando o atendimento veterinário indispensável para garantir sua sobrevivência.

Especialistas explicam que a jornada do mamífero é extraordinária: a espécie, que habita colônias entre a Antártica e a América do Sul, pode ter percorrido entre 3.500 e 3.700 quilômetros em busca de alimento antes de chegar ao litoral fluminense. O fenômeno, embora não seja cotidiano, é comum durante os meses de outono e inverno, quando as correntes marinhas trazem indivíduos errantes para as praias brasileiras.

Marta Coser, coordenadora técnica do PMP-BS Área RJ, detalhou que o animal já era monitorado desde a semana anterior ao resgate. Após uma tentativa de retorno natural ao mar, o lobo-marinho retornou à faixa de areia com fragilidade física, o que motivou a intervenção imediata. Atualmente, o animal passa por exames clínicos detalhados para diagnosticar possíveis agravantes à sua saúde.

Gabriel Leandro Gomes, doutor em Ciências pela Faculdade de Medicina da USP, esclarece que o comportamento é classificado como "vagante". Como o Brasil não possui colônias reprodutivas da espécie, os animais encontrados são, geralmente, juvenis que se desviam das rotas tradicionais ao seguir fluxos migratórios.

A Econservation reforça que, caso um lobo-marinho seja avistado na areia, o repouso é um comportamento natural e nem sempre indica perigo. A população deve, portanto, manter distância segura, evitar interações, não oferecer alimentos e acionar órgãos especializados no monitoramento da fauna marinha, garantindo a preservação tanto do bem-estar do animal quanto a segurança das pessoas.

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