PRESERVAÇÃO E CIDADANIA

Brigadistas comunitários reforçam proteção contra incêndios na Chapada dos Veadeiros

Moradores da Chapada dos Veadeiros em treinamento de combate a incêndios florestais
Moradores se preparam para combater incêndios na Chapada dos Veadeiros. Foto: Jornal Nacional/Reprodução.

Programa do Corpo de Bombeiros capacita 172 moradores para atuar na proteção do Cerrado com remuneração de até R$ 4 mil.

A preservação de uma das áreas mais ricas do Cerrado brasileiro ganha um reforço estratégico com a mobilização de moradores locais. Cento e setenta e dois residentes da Chapada dos Veadeiros foram selecionados para atuar como brigadistas comunitários, uma medida que visa proteger o ecossistema após o impacto severo dos incêndios de 2025, que destruíram 58 mil hectares de vegetação — extensão superior à área territorial de Porto Alegre.

O treinamento, realizado em mata fechada, prepara os voluntários para enfrentar terrenos de difícil acesso onde o fogo costuma se propagar. A iniciativa, conduzida pelo Corpo de Bombeiros em seis municípios da região, estabelece que os brigadistas atuem sempre sob a supervisão de um bombeiro militar. Segundo o major Henrique Saint Clair Alves de Oliveira, comandante da Companhia Florestal, a participação da comunidade é fundamental: "Eles conhecem os acessos e os locais onde os focos historicamente se iniciam. Essa parceria aumenta a nossa capilaridade de resposta".

Para os moradores, o treinamento representa tanto a valorização do saber local quanto uma fonte de renda, com o pagamento de até R$ 4 mil pelo serviço prestado. Mais do que o benefício financeiro, a percepção de pertencimento e a responsabilidade ambiental movem os participantes. "A gente depende da água. Se a nascente queimar, a falta fará diferença para todos nós", relata o microempreendedor individual Gleiser Luiz Souza Braga.

A Secretaria do Meio Ambiente do GO destaca que o projeto busca reduzir a área queimada especialmente no Nordeste do estado, garantindo que o combate ao fogo deixe de ser uma ação isolada e passe a contar com suporte técnico e oficial. A medida representa um avanço na gestão ambiental participativa, unindo a segurança hídrica à dignidade de quem vive e cuida do território.

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