DECISÃO CRUCIAL

Líbano e Israel iniciam nova rodada de negociações em Washington

Imagem de fumaça subindo no sul do Líbano.
Fumaça sobe ao sul do Líbano após ataque israelense neste sábado (20).

Em busca de um acordo de paz duradouro, Líbano e Israel sentam-se à mesa em Washington. A negociação ocorre sob a sombra de um acordo entre Irã e EUA, que já gerou impactos significativos no conflito.

{"blocks":[{"key":"900a3","text":"O Líbano e Israel iniciam nesta terça-feira, 23/06/2026, uma nova e crucial rodada de negociações em Washington. A decisão de retomar os diálogos diretos partiu das autoridades libanesas, que buscam um avanço concreto para o fim do conflito que assola o país. O motivo é a urgência em garantir a paz e a dignidade do povo libanês, afetado por mais de quatro meses de guerra. A importância reside na possibilidade de alcançar um cessar-fogo duradouro e definir um cronograma para a retirada das tropas israelenses, impactando diretamente a segurança e a estabilidade da região.","type":"paragraph"},{"key":"8063f","text":"Apesar da determinação libanesa em dialogar diretamente, as tratativas diretas parecem ofuscadas pela recente decisão do Irã de incluir o Líbano em suas próprias negociações com os Estados Unidos. Autoridades libanesas insistem que o diálogo frente a frente com Israel é a única maneira de encerrar a guerra que começou em 2 de março, após o grupo armado Hezbollah disparar contra Israel em apoio ao Irã, desencadeando ataques aéreos e terrestres israelenses que já causaram mais de 4.000 mortes no Líbano.","type":"paragraph"},{"key":"c712e","text":"As quatro rodadas de negociações anteriores, iniciadas em abril, não conseguiram estabelecer um cessar-fogo estável. Em contrapartida, uma trégua mais prolongada foi observada após o Irã e os EUA fecharem um memorando de entendimento que previa a interrupção dos combates em todas as frentes, inclusive no Líbano. Esse acordo, embora tenha trazido um alívio temporário, enfraqueceu a posição do Estado libanês, pois Teerã negociou em seu nome, contrariando os alertas do presidente Joseph Aoun e de outras lideranças.","type":"paragraph"},{"key":"a1382","text":"Segundo relatos de uma autoridade libanesa e dois diplomatas estrangeiros, o acordo entre Irã e EUA retirou o protagonismo do Estado libanês, deixando-o em sua posição mais vulnerável até o momento e levantando dúvidas sobre a eficácia das conversas desta semana. A autoridade expressou ceticismo quanto a progressos tangíveis nas negociações, que estão previstas para durar três dias, citando a falta de confiança mútua e a rejeição das exigências de ambas as partes.","type":"paragraph"},{"key":"25206","text":"Um dos principais objetivos do Líbano nas negociações será obter um cronograma para a retirada militar de Israel. Contudo, autoridades israelenses de alto escalão indicam que as tropas permanecerão no sul do Líbano por tempo indeterminado. A autoridade libanesa ressaltou que Beirute apresentará um cronograma "razoável" para a retirada, buscando gerar dinamismo no processo e no embate com o Irã.","type":"paragraph"},{"key":"d23a7","text":"Israel, por sua vez, visa o "desarmamento do Hezbollah e a conquista de um acordo de paz genuíno" com o Líbano, conforme declarado pelo porta-voz do governo israelense, David Mencer. Mencer apontou o Hezbollah como o único impedimento para um acordo, defendendo seu desarmamento e desmantelamento. O governo libanês tem atuado com cautela desde 2025 para desarmar o grupo sem confronto direto, temendo um conflito civil, enquanto o Hezbollah rejeita o desarmamento total.","type":"paragraph"},{"key":"e01c5","text":"Karim Safieddine, pesquisador do Tahrir Institute for Middle East Policy, avalia que Israel pode adotar uma postura mais inflexível em Washington, dada a insatisfação com o acordo EUA-Irã. Ele destaca que, embora tenha havido uma calma relativa, não ocorreu uma "mudança estrutural" nas posições libanesa e israelense que sugira a possibilidade de avanços significativos.","type":"paragraph"},{"key":"2f431","text":"As negociações diretas, propostas pela primeira vez em março pelo presidente Aoun, só se iniciaram em meados de abril, após os EUA anunciarem um cessar-fogo para viabilizar um processo diplomático. Desde então, ataques aéreos israelenses nos subúrbios de Beirute cessaram em grande parte, mas combates intensos continuaram no sul do Líbano. Uma nova iniciativa de cessar-fogo dos EUA no início de junho, condicionada à interrupção dos ataques pelo Hezbollah, foi rejeitada pelo grupo.","type":"paragraph"},{"key":"f952f","text":"O Hezbollah espera que o Irã defenda a retirada israelense em suas negociações com os EUA, argumentando que o governo libanês deveria priorizar essa via em detrimento de suas próprias negociações diretas.","type":"paragraph"}],"version":"2.12.1"}

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