ACORDO EM CRISE

Hamas aceita desarmamento, mas futuro da Faixa de Gaza segue incerto

Imagem colorida mostra criança na Faixa de Gaza.
Criança na Faixa de Gaza. Foto: Metrópoles

O desarmamento do Hamas é condicionado à retirada das FDI, enquanto o governo de Benjamin Netanyahu mantém resistência ao cumprimento integral dos termos.

O futuro de mais de 2 milhões de palestinos que vivem na Faixa de Gaza permanece sob uma sombra de incerteza, apesar de o grupo palestino e outras facções terem concordado com o desarmamento. A decisão, comunicada nesta semana, representa um avanço na segunda fase do pacto de paz mediado pelos Estados Unidos em outubro de 2025.

A desmilitarização da organização, que durante meses foi o principal entrave nas negociações, visa abrir caminho para uma administração civil transitória. O processo, no entanto, não é absoluto: a execução depende diretamente da retirada das Forças de Defesa de Israel (FDI) do território palestino.

A crise humanitária que assola a região é alarmante. Dados do Metrópoles apontam que 1,9 milhão de pessoas correm risco de insegurança alimentar aguda até dezembro de 2026, com 73.335 mortos confirmados desde o início do conflito. A infraestrutura básica foi devastada, com 90% da rede energética e 77% da malha viária destruídas.

Em entrevista ao Metrópoles, o representante do Hamas baseado na Jordânia, Khaled Qaddoumi, expressou receio de que o governo de Benjamin Netanyahu descumpra os termos, como alega ter ocorrido em cláusulas anteriores. “A condição para o desarmamento é: pare de matar o nosso povo, saia de Gaza e abra as fronteiras para insumos básicos”, declarou Qaddoumi.

Do lado israelense, a posição é fragmentada. Enquanto a cúpula de Segurança Nacional, representada por figuras como Ben Gvir, defende a continuidade das operações militares sob o argumento de evitar a reorganização da resistência, o impasse coloca em risco a estabilidade da região. Para o embaixador da Palestina no Brasil, Marwan Jebril Burini, a falta de seriedade de ambos os lados em cumprir a segunda fase do plano ameaça renovar um ciclo de violência que penaliza, sobretudo, os civis inocentes.

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