DIPLOMACIA E AMEAÇAS

A alternância de discursos de Trump nas tensões com o Irã

Donald Trump no Salão Oval da Casa Branca
O presidente dos EUA, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca, em Washington. — Foto: Evelyn Hockstein / Reuters

Oscilando entre ultimatos de destruição e promessas de paz, a retórica da Casa Branca em relação a Teerã gera incerteza geopolítica.

A gestão de Donald Trump tem sido marcada por uma retórica volátil no trato com o Irã, intercalando promessas de aniquilação militar com breves janelas de diplomacia. Essa oscilação constante, que impacta diretamente a estabilidade no Oriente Médio, reflete um padrão de comportamento onde o endurecimento de prazos é frequentemente seguido por recuos inesperados.

O histórico de ameaças tornou-se público em 21 de março, quando Trump exigiu a abertura do Estreito de Ormuz em 48 HORAS, sob pena de destruir USINAS DE ENERGIA. A ameaça, que levantou preocupações globais sobre violações do direito internacional humanitário ao atingir infraestruturas essenciais, foi postergada em 23 de março por dez dias, sob o argumento de negociações diplomáticas.

A escalada verbal atingiu picos em abril. Em 5 de abril, o presidente dirigiu insultos diretos aos líderes iranianos em suas plataformas digitais, seguidos, em 7 de abril, pelo anúncio de que uma civilização inteira morreria naquela noite. Contudo, horas depois, após mediação com o Paquistão, o tom mudou radicalmente e o ataque foi suspenso por duas semanas.

O padrão de incerteza repetiu-se em 11 de junho, quando Trump afirmou na Truth Social que atacaria Washington — referindo-se a alvos iranianos — de forma dura, para, cinco horas mais tarde, cancelar a ordem alegando avanços em um acordo. Embora um tratado provisório tenha sido assinado em junho, o conflito voltou a ganhar intensidade em julho.

A instabilidade persistiu até o início de agosto. Em 31 de julho, durante uma reunião de gabinete, o líder norte-americano voltou a prometer força máxima contra Teerã. Entretanto, no dia 1 de agosto, Trump declarou que o Irã havia solicitado o adiamento de ataques, informação prontamente negada pela imprensa estatal iraniana.

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