ALERTA FINANCEIRO

Justiça Federal determina bloqueio de R$ 54 bilhões na Operação Disclosure contra Americanas

Agentes da Polícia Federal em ação durante operação.
Polícia Federal cumpre mandados na segunda fase da Operação Disclosure, que investiga fraudes nas Lojas Americanas.

Medida busca reparar prejuízos de fraudes contábeis e é uma das maiores de crimes financeiros. Nove mandados de busca e apreensão são cumpridos, com alvos no Rio e em São Paulo.

A Justiça Federal determinou o bloqueio e sequestro de bens e valores de até R$ 54 bilhões, como parte da segunda fase da Operação Disclosure, deflagrada nesta quinta-feira, 25/06/2026, pela Polícia Federal. A decisão, que visa garantir a reparação dos prejuízos causados por supostas fraudes contábeis nas Lojas Americanas, representa um marco na investigação de crimes financeiros no país. Este montante é considerado uma das maiores medidas cautelares já adotadas em casos semelhantes.

Paralelamente ao bloqueio patrimonial, a Polícia Federal cumpre nove mandados de busca e apreensão, incluindo buscas pessoais, em endereços nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo. Entre os alvos da operação estão os empresários Carlos Alberto Sicupira e Paulo Alberto Lemann, filho do empresário Jorge Paulo Lemann. A ação aprofunda as investigações sobre a má gestão que abalou a credibilidade da empresa e os interesses de seus investidores e consumidores.

A ordem judicial partiu da 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. O sequestro de bens tem como teto o valor de R$ 54 bilhões, cifra estimada a partir de laudos técnicos que apontam a extensão das supostas fraudes contábeis. A decisão ressalta a gravidade das irregularidades e a necessidade de assegurar que os envolvidos possam arcar com os danos causados à economia e à confiança no mercado.

Esta é a segunda etapa da Operação Disclosure, que teve início em junho de 2024. Aprofundamentos nas apurações ocorreram após a análise minuciosa de documentos, equipamentos eletrônicos e dados financeiros obtidos na fase anterior, evidenciando a complexidade do esquema investigado.

As investigações buscam determinar a participação de acionistas de referência da companhia, representantes de bancos privados e ex-executivos das Americanas. O objetivo é esclarecer como as operações financeiras foram manipuladas, impactando diretamente a transparência devida a acionistas, funcionários e ao público em geral.

Segundo a apuração da PF, as supostas irregularidades teriam ocorrido ao longo de anos para mascarar a real situação financeira da empresa. O foco está em operações de risco sacado registradas de forma inadequada e em verbas de propaganda cooperada (VPC), que apresentariam registros sem lastro econômico efetivo, afetando a saúde financeira da companhia e a percepção do mercado.

Os investigados podem responder pelos crimes de manipulação de mercado e associação criminosa. A Polícia Federal reforça que as diligências desta quinta-feira visam coletar provas, identificar responsabilidades individuais e garantir a possibilidade de ressarcimento dos prejuízos. A determinação judicial sublinha a importância da integridade corporativa para a dignidade do mercado e dos trabalhadores.

Até o momento desta reportagem, os investigados não haviam se manifestado. O espaço permanece aberto para quaisquer posicionamentos.

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