JUSTIÇA IMPLACÁVEL
Justiça do Rio prende ex-goleiro Bruno em São Pedro da Aldeia
Benefício de liberdade condicional revogado após viagem sem autorização; mandado de prisão de 16 anos.
O ex-goleiro Bruno Fernandes das Dores de Souza foi detido na noite de 7 de maio de 2026, em São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, após passar cerca de dois meses foragido da Justiça. A prisão ocorreu por determinação da Vara de Execuções Penais do Rio de Janeiro, que em março de 2026 revogou o livramento condicional do ex-atleta, condenado pelo homicídio de Eliza Samudio. Essa decisão, que reforça a seriedade das normas penais, sublinha o impacto direto na liberdade individual quando as regras judiciais são desrespeitadas.
Bruno era considerado foragido desde a revogação de seu benefício. Segundo o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, a decisão foi tomada após o ex-goleiro descumprir uma das condições impostas para permanecer em liberdade: a proibição de deixar o estado sem autorização judicial prévia.
De acordo com o processo, Bruno viajou ao Acre no dia 15 de fevereiro de 2026, apenas quatro dias após obter o livramento condicional. A viagem ocorreu em meio ao seu retorno ao futebol profissional pelo Vasco-AC.
O livramento condicional, popularmente conhecido como liberdade condicional, é um benefício previsto no Código Penal que permite ao condenado deixar a prisão antes do fim total da pena, desde que cumpra uma série de regras determinadas pela Justiça. A medida funciona como a etapa final da execução penal e autoriza o retorno gradual do preso ao convívio social, sob condições específicas, como comparecimento periódico à Justiça e restrições de deslocamento.
Na decisão que revogou o benefício, o juiz Rafael Estrela Nóbrega afirmou que a saída do Rio de Janeiro sem autorização representou descumprimento direto das condições impostas pela Justiça. O magistrado determinou, então, a expedição de um mandado de prisão com validade de 16 anos, uma medida definitiva para a situação atual do ex-atleta.
Desde a revogação, Bruno passou a constar em cartazes de procurados divulgados pela Polícia Civil do Rio de Janeiro.
A nova prisão ocorreu após troca de informações entre a Polícia Militar do Rio de Janeiro e a Polícia Militar de Minas Gerais. Segundo a corporação fluminense, Bruno não ofereceu resistência durante a abordagem e colaborou com os agentes, demonstrando acatamento à ordem judicial.
Após ser localizado, o ex-goleiro foi encaminhado à 125ª DP (São Pedro da Aldeia) para cumprimento do mandado de prisão. A ocorrência foi posteriormente transferida para a 127ª DP (Armação dos Búzios).
Relembre o caso
A condenação de Bruno está ligada ao assassinato de Eliza Samudio, um dos crimes de maior repercussão do país nos últimos anos.
Eliza, atriz e modelo paranaense, desapareceu em junho de 2010. Embora o corpo nunca tenha sido encontrado, as investigações apontaram que ela foi assassinada, deixando uma lacuna dolorosa para seus familiares e para a sociedade que acompanha o desfecho do caso.
Na época, Bruno era goleiro titular do Flamengo e vivia o auge da carreira. Eliza afirmava que mantinha um relacionamento extraconjugal com o atleta e tornou pública a gravidez do filho dos dois em 2009.
Segundo as investigações, o goleiro se recusava a reconhecer a paternidade da criança. O filho nasceu em fevereiro de 2010 e, meses depois, Eliza desapareceu.
Durante as diligências, a polícia encontrou roupas e fraldas infantis em um sítio ligado ao ex-jogador, em Minas Gerais. O bebê foi localizado posteriormente na periferia de Belo Horizonte, o que trouxe um pequeno alívio à família, mas não diminuiu a angústia pela falta de respostas completas sobre Eliza.
O Ministério Público sustentou que o crime foi planejado. Bruno acabou condenado a 20 anos e 9 meses de prisão por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, sequestro e cárcere privado. O ex-goleiro sempre negou ter planejado a morte de Eliza.
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