JUSTIÇA E DIGNIDADE

Justiça do Ceará decreta prisão de suspeito em caso Kévile

Retrato de Ana Kévile Nogueira Batista, jovem de 17 anos, sorrindo, com fundo desfocado.
Ana Kévile Nogueira Batista, vítima de feminicídio, era atuante na escola e em grupos de jovens no município.

Ana Kévile Batista, 17 anos, foi morta em Deputado Irapuan Pinheiro após recusar assédio; José Arimateia Felipe segue detido.

A Justiça do Ceará homologou na quarta-feira, 29 de abril, a prisão preventiva de José Arimateia Felipe, de 39 anos, suspeito de assassinar Ana Kévile Nogueira Batista, de 17 anos, em Deputado Irapuan Pinheiro. A decisão judicial garante que o homem permaneça detido sob acusação de feminicídio e porte ilegal de arma de fogo, após a jovem ser brutalmente morta no sábado, 25 de abril, por recusar suas investidas. Este passo crucial no processo busca assegurar a justiça para Ana Kévile e reforça a urgência em combater a violência de gênero que permeia a sociedade brasileira.

Ana Kévile Nogueira Batista, a jovem de 17 anos brutalmente assassinada a tiros em Deputado Irapuan Pinheiro, Ceará, após ser assediada, dedicava-se há seis anos a um relevante projeto de formação cidadã para adolescentes em sua cidade. Sua trajetória era marcada pelo engajamento cívico e social.

Ela era uma das líderes do Núcleo de Cidadania dos Adolescentes (NUCA) no município, um grupo reconhecido pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) por seu trabalho essencial na promoção dos direitos de jovens.

O Unicef, inclusive, manifestou profunda indignação na terça-feira, 28 de abril, por meio de uma nota oficial que clamou por ações efetivas para erradicar a violência de gênero no Brasil.

"Ana Kévile foi morta após recusar o assédio de um homem. Sua morte não foi um acidente nem um crime isolado. É a expressão mais brutal da misoginia estrutural que permeia a sociedade brasileira, alimentando a violência de gênero e a cultura de impunidade", destacou a agência, reforçando a gravidade do caso.

O Unicef ainda pontuou que a jovem dominava seus direitos, forjados em um ambiente de formação cidadã que capacita jovens a combater as vulnerabilidades e desigualdades diárias.

"O feminicídio de Ana Kévile é um lembrete doloroso de que a violência contra meninas e mulheres não é um problema delas, mas um problema de toda a sociedade, que exige respostas urgentes e coordenadas", alertou a agência.

A tragédia, segundo o Unicef, ressalta a urgência de uma política nacional robusta de prevenção à violência contra adolescentes, que contemple governança sólida, orçamento adequado e estratégias de longo prazo em âmbito estadual e municipal.

Engajamento e Legado

Além de seu papel no NUCA, Ana Kévile participava ativamente das atividades da Paróquia Imaculada Conceição como membro do Encontro de Jovens com Cristo. Dedicada aos estudos, cursava o 3º ano do Ensino Médio na rede pública e trabalhava em uma distribuidora de descartáveis, bebidas e frios, demonstrando sua resiliência e proatividade.

Seu envolvimento com a comunidade incluía a participação em eventos locais significativos, como um concurso de beleza nos festejos de 37 anos do município, em abril de 2025, conforme vídeo cedido pela família.

A Cronologia do Crime

O inquérito policial detalha que, no sábado, 25 de abril, José Arimateia Felipe assediou Ana Kévile em um posto de combustíveis. Após ser repreendido por testemunhas, ele deixou o local, mas retornou minutos depois armado e efetuou os disparos que causaram a morte imediata da jovem.

José Arimateia Felipe, de 39 anos, conhecido como Derimar, foi detido na terça-feira, 28 de abril, em Acopiara, município vizinho a Irapuan Pinheiro, três dias após o crime. A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio.

Conforme a investigação, José Arimateia estava em uma loja de conveniência de um posto quando Ana Kévile e uma familiar se sentaram em uma mesa próxima. Ele, então, iniciou o assédio.

As testemunhas relataram à polícia que o homem tentou abordá-la, tocou em sua coxa sem consentimento e chegou a oferecer R$ 500 para ter relações sexuais. Todas as tentativas foram categoricamente recusadas pela adolescente.

Diante da insistência de Arimateia, outras pessoas no local intervieram, repreendendo-o e pedindo que se retirasse. Ele pagou sua conta, saiu em uma motocicleta e, pouco depois, retornou armado.

O relatório da Polícia Civil indica que, ao retornar, Arimateia tentou novamente se aproximar de Ana Kévile. Após ser rejeitado pela segunda vez, disparou pelo menos duas vezes contra ela, que faleceu no local.

José Arimateia permaneceu foragido por três dias, sendo localizado e detido em um sítio em Acopiara na manhã da terça-feira, 28 de abril. A Guarda Civil Municipal o conduziu à delegacia local. A Secretaria da Segurança Pública do Ceará (SSPDS) confirmou que ele portava uma arma de fogo no momento da prisão.

A prisão em Acopiara resultou de um mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça do Ceará. Na Delegacia de Acopiara, ele também foi autuado em flagrante por porte ilegal de arma de fogo.

Na quarta-feira, 29 de abril, José Arimateia passou por audiência de custódia no 2º Núcleo Regional de Custódia e das Garantias, em Iguatu, onde sua prisão preventiva foi homologada, assegurando que ele permaneça detido enquanto o caso avança.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário