ADOLESCENTE INTERNADO

Justiça do Acre determina internação de adolescente por ataque a escola que deixou duas servidoras mortas

Adolescente internado pela Justiça do Acre após ataque a escola.
Justiça do Acre determinou a internação do adolescente apontado como autor do ataque a tiros no Instituto São José — Foto: Richard Lauriano/Rede Amazônica Acre

Decisão judicial em primeira instância prevê cumprimento de medida socioeducativa por tempo indeterminado. Cabe recurso. O ataque ocorreu em maio no Instituto São José, em Rio Branco.

A Justiça do Acre determinou a internação de um adolescente de 13 anos, apontado como autor do ataque a tiros no Instituto São José, em Rio Branco. A decisão em primeira instância, anunciada nesta sexta-feira, 19/06/2026, atende a pedido do Ministério Público do Estado do Acre (MP-AC) e prevê o cumprimento de medida socioeducativa de internação por tempo indeterminado. A sentença, que cabe recurso, visa a responsabilizar o jovem pelo ato infracional análogo ao homicídio que resultou na morte de duas servidoras da instituição. O Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC) informou que o processo foi instruído e julgado dentro do prazo de 45 dias, período correspondente à internação provisória. O cumprimento da internação passou a valer de forma imediata. Conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o tempo máximo de internação é de três anos, com avaliações semestrais. Detalhes do caso não foram divulgados em razão do segredo de Justiça. O ataque chocou a comunidade escolar em 5 de maio, quando o adolescente, então aluno da instituição, entrou armado e disparou contra servidoras. Duas inspetoras, Raquel Sales Feitosa, de 36 anos, e Alzenir Pereira da Silva, de 53, foram mortas. Uma aluna de 11 anos e outra servidora ficaram feridas, mas receberam alta no mesmo dia. A comoção gerada pela violência levou o governo do Acre e a Prefeitura de Rio Branco a decretar luto oficial de três dias. Colegas descreveram Raquel e Alzenir como profissionais dedicadas. Alzenir atuava há cerca de 15 anos no Instituto São José, enquanto Raquel, que estava na escola há cinco anos, também cursava enfermagem. Na época, estudantes relataram momentos de pânico durante os disparos, com alunos se jogando no chão e tentando criar barricadas com cadeiras. Ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), equipes da Polícia Militar e Civil, incluindo a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), e do Instituto Médico Legal (IML) atenderam a ocorrência. O adolescente se apresentou à Polícia Militar pouco após o crime e foi apreendido. A arma utilizada pertencia ao padrasto do jovem, que foi ouvido e liberado. A Polícia Civil instaurou investigações para apurar tanto o ato infracional cometido pelo adolescente quanto a responsabilidade do padrasto pela guarda da arma.

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