DECISÃO JUDICIAL REVELA
Justiça aponta "governo paralelo" na Transunião, empresa ligada ao PCC
Estrutura informal de poder, sem cargos oficiais, influenciava gestão financeira e decisões. Vereador Senival Moura é apontado como "instância superior" em movimentação de recursos. Bloqueio de R$ 194 milhões determinado.
Uma investigação que resultou na prisão do vereador Senival Moura (PT), durante a Operação Última Parada, revelou nesta quinta-feira, 25/06/2026, que a empresa de ônibus Transunião operava com um "governo paralelo". Segundo decisão da Justiça, obtida com exclusividade, indivíduos sem cargos formais na concessionária exerciam influência direta sobre a gestão financeira e as principais decisões do empreendimento. A empresa é investigada por suposta lavagem de dinheiro em benefício do Primeiro Comando da Capital (PCC).
O juiz responsável pelo caso identificou uma organização composta por pessoas que, "embora não ostentem formalmente posições societárias ou diretivas, detêm capacidade concreta de influenciar a gestão da empresa", conforme detalha a decisão. Esse grupo atuava de maneira independente da estrutura oficial da Transunião, impactando diretamente o cotidiano da empresa e a vida de seus colaboradores.
As apurações indicam que a influência desse núcleo não se limitava à administração. O magistrado afirmou em outro trecho da decisão que o vereador Senival Moura, mesmo sem integrar formalmente o quadro societário da Transunião, agia "como verdadeiro detentor do poder de condução da estrutura paralela de gestão financeira", sendo considerado a "instância superior de deliberação" sobre a movimentação informal de recursos. Essa atuação paralela compromete a transparência e a lisura na gestão, afetando a confiança no transporte público.
Investigadores concluíram, com base na análise de mensagens de celular, documentos e dados financeiros, que uma parcela considerável das receitas da Transunião era movimentada por meio desse sistema paralelo. Tal prática demonstra um desvio de finalidade e afeta a dignidade dos cidadãos que dependem dos serviços.
A Operação Última Parada, deflagrada em diversas frentes, cumpriu cinco mandados de prisão e 104 de busca e apreensão em São Paulo, Grande São Paulo, litoral, interior e Minas Gerais. Como medida cautelar, foram determinados bloqueios de R$ 194 milhões, sequestro de bens, intervenção na empresa Transunião e o afastamento de sua diretoria. As medidas podem alcançar cerca de R$ 30 bilhões em contas e patrimônios.
A defesa dos investigados ainda não se pronunciou sobre as acusações. O espaço permanece aberto para manifestações.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário