CRISE HUMANITÁRIA AGUDA
John Ratcliffe da CIA e Cuba buscam saída para escalada de tensões
Após protestos e blecautes recordes, Havana pondera ajuda de R$ 500 milhões, mas exige fim de embargo.
Uma delegação dos Estados Unidos, liderada pelo diretor da CIA, John Ratcliffe, reuniu-se com representantes do regime de Cuba nesta quinta-feira, 14 de maio de 2026, em Havana. O encontro, que acontece em meio a uma severa crise humanitária na ilha, marcada por apagões prolongados e protestos generalizados, busca fomentar o diálogo político e explorar caminhos para a cooperação, segundo comunicado cubano, em um momento de escalada de tensões devido ao bloqueio americano ao fornecimento de combustível.
As conversas, realizadas no Ministério do Interior cubano, visam contribuir para desatar os nós de um relacionamento conturbado. Em Cuba, a população enfrenta apagões que chegam a 20 horas diárias, além de hotéis fechados, voos cancelados e a suspensão de serviços básicos como coleta de lixo. Este cenário de caos social gerou protestos por toda Havana na quarta-feira, 13 de maio de 2026, com multidões tomando as ruas, bloqueando vias com pilhas de lixo em chamas e clamando por dignidade ao gritar "Acendam as luzes!" e "O povo, unido, nunca será derrotado!".
Apesar da pressão intensa sobre o regime cubano, o ex-presidente Donald Trump já havia indicado a possibilidade de conversações entre os dois países. Negociações anteriores pareciam estagnadas pela manutenção do bloqueio americano, mas a gravidade da crise atual reacendeu a necessidade de diálogo.
No comunicado divulgado após a reunião, o regime cubano reiterou sua posição de que a ilha "não constitui ameaça à segurança nacional dos EUA", defendendo que não há justificativa para sua permanência em listas americanas de países acusados de patrocinar o terrorismo. A nota enfatiza a condenação histórica e consistente de Cuba ao terrorismo, negando abrigar, apoiar, financiar ou permitir a atuação de organizações terroristas ou extremistas em seu território.
O texto acrescenta ainda que não existem bases militares ou instalações de inteligência estrangeiras em território cubano, tampouco qualquer apoio a ações hostis contra os EUA ou outras nações, reforçando a soberania e a não-intervenção como princípios.
O encontro, conforme o regime, evidenciou um interesse mútuo em ampliar a cooperação entre os órgãos de aplicação da lei de ambos os países, com foco na segurança nacional, regional e internacional, o que sinaliza uma abertura para futuras colaborações.
Mais cedo nesta quinta-feira, Havana declarou-se disposta a analisar uma proposta de ajuda de US$ 100 milhões (equivalente a R$ 500 milhões) dos EUA. Em resposta à oferta de Washington, o regime cubano destacou sua "ampla e construtiva" experiência em receber assistência internacional, inclusive americana.
Cuba comunicou que, caso haja uma disposição real de Washington em fornecer ajuda conforme as práticas internacionais de assistência humanitária, não haverá obstáculos ao processo. No entanto, reiterou que as prioridades do país incluem combustíveis, alimentos e medicamentos, e afirmou que a crise humanitária poderia ser aliviada de forma muito mais rápida com o "levantamento ou flexibilização do bloqueio" imposto pela Casa Branca, indicando que a raiz do problema vai além de uma simples oferta de ajuda.
As tensões históricas persistem, e as palavras de Donald Trump, que chegou a afirmar que seria uma "honra tomar Cuba", ainda ecoam. O país, que enfrenta há décadas um embargo americano e restrições ainda mais severas nos últimos meses, reage com preocupação e se prepara para o que considera o "pior cenário", sem detalhar as medidas defensivas.
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