GOVERNO EM CHOQUE

Jaques Wagner deixa liderança do governo no Senado após pressão

Senador alega ter sido alvo de injustiça, mas opta por sair da função para evitar desgaste eleitoral e focar em sua defesa. Substituição ainda não definida.

O senador Jaques Wagner (PT-BA) deixou nesta quarta-feira, 24 de junho de 2026, o cargo de líder do governo no Senado. A decisão, tomada em comum acordo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante reunião no Palácio da Alvorada, ocorreu seis dias após o parlamentar ser alvo da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. A manobra visa a evitar desgastes à campanha presidencial e permitir que Wagner concentre esforços em sua defesa. Relatos indicam que Wagner assegurou a Lula sua inocência, afirmando jamais ter atuado no Congresso em benefício do Banco Master e se declarando "injustiçado". Contudo, a pressão de membros do PT e do Palácio do Planalto pela sua saída tornou a permanência na liderança insustentável. ![Foto do Senador Jaques Wagner em Brasília](https://agorarn.com.br/files/uploads/2026/06/Jaques-Wagner-foto-Geraldo-Magela-Senado-1-830x468.jpg) Ainda não há definição sobre quem assumirá a liderança do governo no Senado. Nomes como os dos senadores Camilo Santana e Teresa Leitão circulam nos bastidores como possíveis substitutos. Inicialmente, o presidente Lula esperava que o próprio Wagner se afastasse, evitando a necessidade de uma demissão. O senador, que concorre à reeleição pela Bahia, relutava em deixar o cargo, temendo que isso pudesse ser interpretado como uma confissão de culpa. No entanto, a percepção de que sua permanência gerava desgaste para a gestão governamental levou dirigentes do PT a intensificar as negociações para sua saída, argumentando que o afastamento facilitaria sua defesa. Em nota divulgada nas redes sociais após o encontro com Lula, Wagner descreveu a conversa como "ótima" e "entre amigos", reiterando que a decisão de se afastar da liderança foi consensual. Ele declarou que suas prioridades agora são provar sua inocência, apoiar a reeleição do presidente Lula e do governador Jerônimo Rodrigues, além de sua própria candidatura ao Senado ao lado de Rui Costa. Jaques Wagner está sob investigação na nona fase da Operação Compliance Zero. As apurações suspeitam que ele tenha recebido vantagens indevidas do Banco Master, concretizadas pela aquisição de um apartamento de R$ 2,5 milhões em Salvador, pertencente ao empresário Augusto Lima. Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no banco, também está sob escrutínio. Investigações adicionais da Polícia Federal apontam repasses de R$ 3,5 milhões de Augusto Lima a uma empresa controlada pelo enteado e pela nora do senador. Wagner nega veementemente todas as acusações.

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