DESGASTE DE IMAGEM

Jaques Wagner busca aliados e recorre ao STF contra operação da PF

Senador Jaques Wagner em pose formal.
Senador Jaques Wagner (PT-BA) busca apoio de aliados e recorre ao STF após operação da Polícia Federal.

Senador baiano reage a investigação da Polícia Federal e busca apoio de colegas e do Poder Judiciário para anular ação. Decisão da Justiça ainda não é definitiva.

O senador Jaques Wagner (PT-BA) decidiu recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal) para anular a operação da PF (Polícia Federal) que o teve como alvo, em uma movimentação para conter o desgaste de sua imagem após as investigações. O parlamentar busca provar sua inocência e evitar que a ação policial comprometa sua candidatura à reeleição em outubro.

Desde que a operação foi deflagrada, em 18 de junho de 2026, Jaques Wagner está na Bahia. No estado, buscou o apoio de aliados próximos como o governador Jerônimo Rodrigues e o ex-ministro Rui Costa. A intenção é que ambos o acompanhem em eventos de campanha, demonstrando união e força política.

Em um esforço para recompor sua imagem, o senador também contatou colegas de Senado. Entre eles, o presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), Otto Alencar (PSD), também da Bahia. A articulação visa reforçar o apoio político e demonstrar que o parlamentar não agiu em desacordo com a lei.

O senador Otto Alencar e o relator da emenda constitucional da autonomia financeira do Banco Central (BC), Plínio Valério (PSDB-AM), manifestaram publicamente apoio a Jaques Wagner. Ambos declararam que o petista não atuou em benefício da chamada “Emenda Master”, contrariando as apurações da PF.

O senador Jaques Wagner deve retornar a Brasília na quarta-feira, 24 de junho de 2026. Há a expectativa de um encontro com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O encontro é visto como uma oportunidade para o parlamentar agradecer o apoio público recebido do presidente do Congresso logo após a operação.

Davi Alcolumbre criticou o que chamou de “julgamentos antecipados de agentes públicos”, após a operação. Ele expressou convicção de que “as verdades do senador Jaques Wagner virão à tona” conforme o processo avançar.

No âmbito judicial, a defesa de Jaques Wagner acionou o STF na segunda-feira, 22 de junho de 2026, solicitando a anulação dos mandados de busca e apreensão. Os advogados alegam a existência de “erros graves que comprometem a medida”, argumentando que o senador não atuou em favorecimento do Master no Congresso Nacional, como sugere a investigação.

A PF aponta dois momentos de suposto favorecimento. O primeiro teria ocorrido durante a tramitação de uma medida provisória que aumentava o limite de crédito consignado. A defesa de Jaques sustenta que a emenda apresentada por ele ao texto contrariava os interesses do banco, ao “limitar juros e proteger consumidores”.

O segundo ponto de investigação refere-se à PEC (Proposta de Emenda à Constituição) sobre a autonomia financeira do BC. A chamada “Emenda Master”, apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), visava aumentar a cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos). A defesa de Jaques afirma que ele se posicionou contra a “Emenda Master”, citando inclusive declarações do relator Plínio Valério de que nunca foi procurado pelo líder do governo para tratar do assunto.

No Palácio do Planalto, parte da equipe governista considera que a operação prejudica a imagem e a articulação política da gestão federal, sugerindo a substituição de Jaques Wagner na liderança do governo no Senado. Contudo, a avaliação predominante é que o Presidente Lula só definirá os próximos passos após conversar pessoalmente com o senador e outros aliados.

Uma primeira conversa por telefone entre Lula e Jaques Wagner ocorreu na quinta-feira, 19 de junho de 2026. O presidente, porém, prefere aguardar um encontro presencial em Brasília, o que deve ocorrer ainda nesta semana, para deliberar sobre o assunto, conforme indicado por auxiliares.

Interlocutores do presidente afirmam que o Planalto estava preparado para responder a alegações de conexões do PT baiano com o caso do Banco Master, mas a operação contra o senador foi uma surpresa.

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