CRÍTICA INTERNACIONAL

Israel deporta ativistas de flotilha após vídeo chocante desencadear crise diplomática

Imagem de ativistas detidos em solo, com mãos amarradas.
Ativistas detidos pela Marinha de Israel durante interceptação de flotilha.

Deportação de estrangeiros detidos em operação naval ocorre após vídeo com tratamento humilhante gerar condenação de aliados de Tel Aviv. Brasileiros estão entre os deportados.

O governo de Israel anunciou, nesta quinta-feira, 21/05/2026, a deportação de todos os ativistas estrangeiros que integravam uma flotilha com destino à Faixa de Gaza e foram interceptados pelas forças de Tel Aviv no mar Mediterrâneo. A decisão de expulsar os detidos ocorre um dia após a divulgação de um vídeo que gerou uma avalanche de críticas internacionais e desencadeou uma crise diplomática.

O vídeo em questão, divulgado pelo ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, mostrava os ativistas detidos com as mãos amarradas e a testa apoiada no chão, enquanto o hino nacional israelense era reproduzido em volume alto. A cena foi amplamente condenada por violar os padrões básicos de respeito e dignidade humana, impactando diretamente a imagem de Israel no cenário global.

As repercussões diplomáticas se intensificaram nesta quinta-feira. O Reino Unido convocou o encarregado de negócios de Israel para prestar esclarecimentos, um gesto considerado uma forte reprimenda. O Ministério das Relações Exteriores britânico classificou o ocorrido como uma violação inaceitável.

Na Polônia, o chanceler Radoslaw Sikorski solicitou formalmente que Itamar Ben-Gvir seja proibido de entrar no país. Paralelamente, o ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, indicou que a União Europeia deve considerar a aplicação de sanções ao ministro israelense.

Mesmo os Estados Unidos, um aliado histórico de Tel Aviv, manifestaram sua crítica. O embaixador americano Mike Huckabee declarou que, embora a flotilha pudesse ser vista como uma ação imprudente, a conduta de Ben-Gvir 'traiu a dignidade' de Israel.

Na véspera, governos de França, Bélgica, Canadá, Coreia do Sul, Espanha, Irlanda e Turquia já haviam criticado publicamente o tratamento dispensado aos detidos, sublinhando o impacto negativo na percepção internacional das ações israelenses.

Os cerca de 430 integrantes da flotilha foram retirados de suas embarcações e detidos em Israel antes da deportação. Entre eles, estão quatro brasileiros: Beatriz Moreira, militante do Movimento Atingido por Barragens; Ariadne Teles, advogada de direitos humanos e coordenadora da Global Sumud Brasil; Thainara Rogério, desenvolvedora de software; e Cássio Pelegrini, médico pediatra. A expectativa dos organizadores é que os brasileiros cheguem à Turquia ainda nesta quinta-feira.

De acordo com os organizadores, os ativistas foram deportados pelo Aeroporto Ramon, no sul de Israel. O grupo jurídico Adalah informou que os membros da iniciativa estavam mantidos na prisão de Ktzi'ot, no deserto de Negev. A Turquia já anunciou o envio de aviões para repatriar seus cidadãos.

A flotilha, composta por quase 50 barcos, partiu do sul da Turquia na quinta-feira, 14/05/2026, com o objetivo declarado de levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza e desafiar o bloqueio naval imposto por Israel. Na segunda-feira, 18/05/2026, ativistas relataram que forças israelenses subiram a bordo das embarcações, com vídeos mostrando disparos de advertência, segundo Tel Aviv.

Esta representou a terceira tentativa do grupo, em um ano, de alcançar Gaza por mar. Missões anteriores também foram interceptadas. O premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, classificou a iniciativa mais recente como um 'projeto mal-intencionado'.

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